Sempre estarei buscando os meus sonhos

08 março, 2013

Fé


"Amar é cuidar, é querer sempre o bem, independente com quem. É ter no sorriso do amado, o seu sorriso. É ter na alegria do amado a sua própria alegria, mesmo que ele não esteja ao seu lado." - Dominique Louvain

Entristece-me profundamente as pessoas que preferem a independência solitária do que a dependência mútua.
Acredito fielmente que o que nutrimos em nós, atraímos para nós. Se somos capazes de nutrir tanto amor por nós mesmos, não consigo entender o medo da dependência.
Dependemos de um sistema eletrônico logo ao acordar: o despertador, e estamos bem com isso. Dependemos de um sistema de transporte, seja público ou privado, para nos locomover, e estamos bem com isso. Dependemos dos outros somente por habitar o mesmo espaço que eles.
Mas a dependência magnânima que é o único motivo que me faz estar aqui, até hoje, depois de tanto sofrimento, é a fé.
Não me aprofundo ao dizer fé para tanger religião, tampouco as pessoas. Disserto sobre a fé como estrutura. Como sequer podemos nos sustentar fisicamente se não houver um chão?
As pessoas podem colocar suas estruturas em dinheiro, em sentimentos, em medos, mas creio eu que nenhuma estrutura seja tão recôndita como a fé.
É muito triste pensar que somos capazes de criar tanto, e uma falsa ideia oriunda de uma profunda arrogância dê crédito por isso a nós mesmos. Por mais que alguém seja capaz de se amar, esquecemos que nem o nosso corpo pertence a nós. Se pertencesse, teríamos controle sobre suas funções involuntárias. Há muito medo, há muita dor. As pessoas estão cada vez mais perdidas e cada vez mais distante de si mesmas, mas a única coisa capaz de nos permitir que nos entreguemos, que faça abrirmos mãos de nós mesmos, é dar asas à imaginação, é ter fé.
Por isso, pergunto-me: alguém sincero consigo mesmo, alguém capaz de explorar suas sensibilidades, alguém que não tem vergonha em dizer que precisa dos outros, que gosta dos outros, que chora sem timidez, alguém capaz de nutrir fé em si mesmo e nos outros que vive se decepcionando e sofrendo, caindo e levantando, alguém que expõe suas fraquezas e, mesmo assim, enfrenta e vence os obstáculos da vida, é essa pessoa fraca? Ser sensível é ser fraco? Quanto mais eu envelheço, eu penso que não.
É preciso muita coragem, muita iniciativa para enfrentar o mundo, as pessoas e impor seus sentimentos. Acredito sim que as pessoas que mais se destacam são violentas, são egoístas, não se importam com os outros. Porém, para mim, elas se destacam por haver um público. E quem é este público? Eu, você, nós.
Somos animais, somos cruéis, gostamos do poder e queremos subjugar uns aos outros imersos em um imenso ecossistema falido onde o canibalismo foi proibido, então nossos instintos divertem-se ao matar psicológicamente uma pessoa. Mas isso é reflexo de cadáveres muito conhecidos por nós: nós mesmos. Não há vida onde há morte e, infelizmente, em grande parte de nossa vida estamos mortos.
Não é natural desejar tanto mal aos outros. Não é natural sentir tanta raiva, tanto ódio, tanta destruição. Foge à lógica. Se alguém está bem consigo mesmo, por que se incomodar com a existência dos outros? Por que se importunar com o que é diferente à nós se está satisfeito em ser como é? Por que molestar quem é considerado "inferior"? Daonde nasceu tamanha busca por poder, possessão e obsessão? Por que ainda se orgulhar em não ser agradável, não ser carinhoso, não querer manter a paz e a harmonia, por que o gosto pelo caos? Onde está a lógica disso? É, estamos mortos, não há vida nisso.
Para mim, redigindo de maneira totalmente desprovida de ideais éticos, morais e/ou religiosos, apenas filosofo comigo mesmo de madrugada: o que é ser humano? É buscar tanta destruição? Onde está o chão para se pisar?
O dicionário on-line aqui define humano para mim como "Sensível à piedade, compassivo: mostrar-se humano com seus semelhantes." Estamos sendo humanos?
Como somos capazes de por tantos anos em nossas vidas nutrir a inveja, a futilidade, a cega busca pelo poder e, se não bastasse isso, disfarçar como um lobo que se oculta atrás da face de um cordeiro? Qual é a humanidade presente nisso? E ainda tem quem diga que se ama, orgulhando-se por nutrir destruição. Todos estão sem fé, ninguém acredita mais em si mesmo, mas o que realmente choca é a hipocrisia em negar e mentir não para o mundo, não para os outros, mas mentir para si mesmo que sim, confia em seu taco, tem muitas capacidades, "é melhor do que os outros"...
Pff, isso não faz sentido algum.
Eu só posso dizer que quanto mais envelheço, mais posso me orgulhar de quem sou. Não sou perfeito, mas considero-me à frente (e veja que não é superior, mas apenas à frente por investir na direção oposta) dos outros simplesmente por buscar a perfeição. Que mal há nisso? Que mal há em me perder em devaneios como este que ninguém irá ler (provavelmente só a Cah e o Dan por serem algumas das pessoas mais iluminadas que já tive o prazer em conhecer), sem sentido algum aparente, mas buscando nada mais do que meu próprio bem estar, minha própria lavagem de consciência?
Pior ainda do que enganar, é acreditar na mentira.
Tudo está errado, e tenho uma vontade constante, infinita, em querer organizar tudo, para poder analisar, para poder solucionar, e é impossível catalogar tanto. Mas são séculos, são séculos de erros, e são tantos erros que não consigo compreender como ainda tanta gente sobrevive, pois isso não é viver.
Não faz sentido algum.
Lógica? Lógica para mim é sentir. Sentir que quando se faz bem ao próximo, você na verdade não deve nada a ele, você está apenas aprimorando a si mesmo como ser humano. Lógica? Lógica é se posicionar e não ter vergonha de ser quem é, e se permitir fraquejar, e se permitir revoltar, mas nunca, NUNCA perder a humildade em saber que qualquer um é tão capaz como você é, não há diferença nenhuma entre ninguém. Por que precisamos nos odiar quando podíamos nos contemplar?
Contemplação. Aí outra coisa que enlouquece as pessoas. Apaixonam-se por encontrar em alguém tudo aquilo que apreciam, que buscam, mas depois surtam por não possuir justamente o que tanto adoram. Precisamos mesmo ter tudo? Por que a posse? Cada um é perfeito do jeito que é, e é notoriamente humano reconhecer a luz que habita dentro de cada um. Por que buscar trevas? Pois as pessoas, atualmente, são mais trevas do que luz. Isto sim é lógica para mim.
Se alguém é humano, é simples, ela ama aos outros como a si mesmo, e não por uma Escritura Sagrada dizer que é correto, mas por vivenciar isso. E, se alguém se abre a ponto de conseguir sentir que 99.99% das pessoas que habitam este planeta não caminham nessa direção, que caminham em rumo a própria auto destruição, é como se parte delas mesmas morresse com aquilo, e os outros ainda julgam a melancolia. Melancolia é pouco para quem é capaz de perceber isso, este ser é um herói por não se suicidar quanto mais conhecimento adquire. E por que não se mata? Por que não morre já que pensa tanto nos outros? Por profunda contemplação àqueles que nem contemplar a si mesmos são capazes.
Uma vez me deparei com uma obra de um clássico, um antigo pensador grego, famoso por sinal, e era sobre o ato de contemplar. Ele dizia sobre a importância de dedicarmos algum tempo de nossos dias, cotidianamente, para contemplar o trabalho de alguém, e dizia sobre a importância da arte em meio a isso. Eu queria lembrar deste autor, realmente queria ler esta obra um dia, mas realmente se perdeu em minha memória... :(
Mas não adianta. Já são 04h37 da manhã e eu poderia tranquilamente ficar aqui filosofando até amanhã, mas meus olhos doem, meu corpo pede descanso. Descanso por ser exaustivo viver em meio a tanta dor, mas prazeroso sentir que mesmo estando profundamente triste e insatisfeito com tantas coisas ao meu redor, eu cheguei a um ponto que sei que sou capaz de superar a pior das dores, por mais que eu queira evitá-las, instinto de sobrevivência, pô. E como eu sei? Fé, tudo passa, o tempo há sempre de agir por todos. E por mais crítico que eu tenda a ser, e mesmo que eu viva insatisfeito observando mais defeitos do que qualidades e sendo eternamente malcontente sem valorizar o que tenho, sei que haverão breves momentos como esta noite onde irei respirar, parar tudo, e contemplar. Contemplar a mim, a você, à vida. Pode ser raro para mim, afinal, eu não sou humano, sou animal tal qual qualquer um destes que tanto critiquei, mas posso me orgulhar por, pelo menos, querer vir a ser um, um dia.
Quanto ao sofrimento, sim, partes e partes de mim morreram e não irão voltar, e não adianta mais lamentar, transformei-me. Sinto falta de muitas qualidades maravilhosas que eu tinha e infelizmente perdi, em especial, a hiperatividade, a inquietação, a sede por novos conhecimentos, novos mundos, a vontade de fazer tudo acontecer para ontem que me tornava semelhante a um sagitariano: um amor infinito pela vida. O meu amor ao próximo venceu, e a tristeza dele me infeccionou, e a seriedade me tomou, mas mesmo que eu não tenha mais energias para fazer tudo que eu gostaria de fazer, projetar e criar, mesmo que eu nunca seja lido, reconhecido, admirado, não me importa, pois eu amo e sou amado, e sei que, por esta pessoa, eu serei isso tudo. Então acho que finalmente consegui atingir a prática da teoria, realmente basta para mim que somente uma pessoa no mundo me veja, pois é ela com seu brilho e infinito espaço concedido a mim que escolhi para ser o céu que segura esta profunda imensidão que oscila como as ondas na areia que sou, o mar.
E mesmo que às vezes, em tão vasta liberdade que é o ar, eu sinta sua frieza, e sinta falta da umidade e do calor seguro proporcionado pela terra, eu sei que estará sempre ali, desejando-me tragar, e tragado ser.
Te amo, te amo mais que o infinito, te amo com todas as forças do meu ser, irrevogavelmente, incondicionalmente, livremente. Gostaria que um dia você fosse capaz de sentir como eu me sinto, talvez você sinta, eu não tenho como saber, então correção: gostaria de um dia conseguir sentir alguém me amando da mesma maneira que tenho orgulho em saber que sou capaz de sentir por você, pois se me doar é tão prazeroso, sentir seu retorno deve ser a ambrosia dos deuses.
Isto, é fé.

Fotografia, edição e texto por mim mesmo.

12 julho, 2012

Delighting into your blood

Your killerwave is killing you. How do you expect to feel good in this morning if the only thing that you know to do is to deal with stuff that don't belong to your own business? You will fall, and I don't need to pray, cuz you're burying yourself. I'm just here in my morning drinking my tea, smoking my cigarette and delighting myself into your blood, just watching you falling so naturaly.

01 fevereiro, 2012

A Shadow of Someday

Olhos vagos, etéreos, cansados.
Pés entortados, fatigados, famigerados.
Caminhar em uma estrada onde um lado avança como o vento sussurra nas árvores e, em contrapartida, o outro lado é forçado a se locomover como a mais dura das rochas.
Cansa. Cansa notar que há muito esforço, esforço para acabar se tornando a sua própria sombra, deixando de lado o seu ponto de luz.
Dói, dilacera, convulsiona, esfria, gélido.
Mas o putrefato transmutará, não possuo dúvidas. Mas indago-te agora, a essa hora e sem nenhum cigarro: suportarei por quanto tempo transmutar, sem o verdadeiro ouro sentir retornar?





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Sofrer por antecipação

"Se não te sentires magoado, ninguém será capaz de magoar-te. Não sejas tão suscetível!
Quando te irritas, perdes o controle das próprias emoções.
A dificuldade que temes, talvez nem venha a surgir. Ficar na expectativa do pior é criar ambiente propício para ele."


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Location:Paraíso,São Paulo,Brasil

15 dezembro, 2011

Todos os demônios serão sugados ao Paraíso

 

All The Demons Will Be Sucked To Heaven Amarela

- Estou muito triste.
- Por que????
- Ando considerando minha vida uma imensa mentira.
- Por que mentira??
- Tudo que gosto, tudo que acredito, sei lá, sou só eu… Sou sozinho no mundo.
- Mas na verdade, todo mundo é. Isso não é uma mentira.
- Sei que todos são, mas digo no sentido intelectual.
Eu que devo ser o problemático. Devo ser ingênuo e sonhador mesmo.
Estou cansado de todas as pessoas me verem como um livro de auto-ajuda; que procuram para ouvir teorias, mas tudo que escutam não consideram aplicável na prática.
Isso dói profundamente, parece que tudo que já li, ouvi, considerei, dediquei meu tempo, sei lá, não vale nada, que nunca valeu. Talvez não valha mesmo, se só eu considero isso na prática, o lunático realmente deve ser eu.
…
Ou não, afinal, a prática é aplicável para mim mesmo, e pouco importa se os outros não aproveitam isto.
- Jamaiiiiis! Nada que vc diz ou faz é em vão, tudo faz diferença no universo, msmo q vc não perceba! Te amo! :) – Disse a grande viajante.
- Hey! Você é e sempre será o meu terapeuta favorito =] – Disse o intenso e sensível artista.

Devaneios, devaneios, devaneios.

A grande viajante diz que preciso entender que cada pessoa tem seu grau de dificuldade em colocar determinadas coisas em prática, e que palavras como as minhas fazem toda a diferença!


Respondi dizendo que devo ser ingênuo e sonhador mesmo como o Jhonatas tanto repete, que vivo em um mundo cor-de-rosa.
Estou cansado já de todos que me cercam dizerem que na teoria tudo é fácil, e na prática é difícil… E eu não ter prática, não ter moral para rebater, pois não segui a vida adiantado como eles. E estou aqui, vivendo como um pré-adolescente sendo um marmanjo boyzinho de 20 anos que não precisa fazer nada na vida.
Mas sei lá, não entendo pq é tão difícil pras pessoas simplesmente tentarem se permitir acreditar.
Elas vêem filmes, elas sonham, elas choram, elas se emocionam… Mas voltam pra sua vida e parece que tudo isso que mexeu com o âmago de sua essência, não existiu. E sinto que essa inexistência sou eu.

 

E a grande viajante novamente me envolveu em seu mistério sedutor. Ela disse:

- Eu não te vejo assim! Você se vê assim?! Artur, você é uma das pessoas mais evoluídas que conheci nos últimos tempos… não porque me dá conselhos amorosos, mas porque vive de maneira desprendida das coisas superficiais; porque aceita as pessoas como elas são e porque tem um dom de acolher e cuidar incomum...
Cada um tem seus motivos para se perder dessas virtudes, se encontrar é bem difícil mesmo… nós não podemos mudar o mundo de uma vez, mas podemos compartilhar com o mundo aquilo que nos mudou… isso já faz muita diferença!
É como eu disse, nada é em vão! E todos temos momentos de fraqueza, permita-se ter, como está tendo agora e se questione como todo mundo faz, afinal, você é humano… isso é normal, mas vai passar… logo a vida te mostra que a melhor maneira de viver é a que você se sente bem, mesmo que ninguém mais sinta isso!
Você é tão precioso! Não deixe que momentos chatos afetem isso: O que você pensa, ou como age! Te amo pelo que é.


Olhos curiosos se perderam diante destas palavras. Sois tão sinceras, densas, intensas, profundas e, principalmente, honestas.
Porém, ainda perdido em mim mesmo, precisei responder. Ainda sem pensar, apenas na tentativa de colocar o que o coração sente em palavras, eu falei:
- Foi uma das coisas mais bonitas que já escreveram para mim. Em geral, não me vejo assim não. Mas a maneira como o X falou comigo há pouco, todo o ceticismo dele, todo pessimismo… eu sou alguém muito sensitivo, eu pego essa energia para mim como se fosse minha, é o defeito e a virtude de Peixes, e isso dói muito. Parece que estou sentindo toda energia do X, e isso me destrói. Sei que não sou assim, mas sei lá, parece as vezes isso. Cansa.
Sei lá, não ser valorizado é chato, mas eu aceito. Contudo, ainda ser atacado com crueldade planejada (inúmeras pessoas nas últimas semanas)? Eu não tolero isso, não admito isso, me dói demais…
Só estou explodindo mesmo. Acho que é algum sentimento que ando reprimindo há um tempo. As pessoas duvidam de mim, e isso me irrita. Mas preciso aceitar. Mas é difícil porque eu, na posição delas, me permitiria abrir. Sou alguém com sede de conhecimento, sou alguém aberto ao novo. E sou mesmo, não preciso dizer isso para você ou para o mundo, eu simplesmente sei que sou!
E me dói ver tanta gente se dizendo ser assim e, na prática, não ser. Me apedrejar tal qual as pessoas eram na época de Jesus.

- Eu sei disso… tudo que escrevi foi de coração, e o que eu tenho a dizer é: eu acredito em você. Não é suficiente? Não, assim como meu avanço é pouco, mas é algo, que pode te motivar a continuar... te aceito como é, pelo que é, e adoro seu jeito!
Percebi isso, que você pega muita energiaaa, e deve ser por isso… mas não permita que as pessoas façam você se questionar, você sempre soube o que é, o que quer. Você estudou muito pra isso…
O que as pessoas pensam, não vai alterar! Você não tem que provar nada pra elas mesmo…
Coloca pra fora mesmo, não é bom guardar. Se precisar sabe que pode contar comigo sempre! Sempre! :)Boa noooite! E sinta-se abraçado, é meu remédio para os momentos ruins rsrs beijo!

 

E assim ela foi. Viajar, continuar sua jornada para se liberar das amarras que ela própria criou. Afinal, nossas amarras são pseudo defesas criadas por nós mesmos.

Por sua vez, simultaneamente, há a outra pessoa. A outra moeda. A viajante que não tenho noção de como é:

- ‘… não existiu. E sinto que essa inexistência sou eu”. – Eu contei da mesma maneira.
- Como assim??
- Quando alguém avança, amadurece na vida, aplica na prática as teorias... Coisas assim me enchem de felicidade, mas vivo em um mundo que parece que cada ano que eu viver, verei menos e menos isso. E eu só gostaria de ser repleto disso.
Teoria. Eu chego aqui e te digo coisas de capricórnio e de touro, e você adora isso, identifica-se, respeita. Já é MUITO e fico imensamente feliz com isso, mas na prática, no momento de dificuldade, coisas como 'tudo passa' ou então 'capricórnio não valoriza, então devo valorizar'... na prática, na hora H mesmo, só minha bisavó que já morreu que já vi ser realmente assim: de por na prática.
As pessoas não são assim. E ainda me atacam por eu tentar ser assim. E isso me dói. Dói demais.

- Mas você acha que sua vida é só teoria?? (Essa foi pesada, OUCH!)

- Não, não é mesmo. Mas não tenho responsabilidades, compromissos, contas pra pagar… Então até que ponto eu realmente vivo em um mundo cor-de-rosa? Eu verdadeiramente não sei. Mas efetivamente não acredito que ele assim o seja.
- Mas todo mundo da nossa idade, a grande maioria vive assim.
- De classe média alta como nós. No fim parece que sou tão positivo por não ter dificuldade mesmo, sei lá.
Minha bisavó viveu a vida inteira em miséria, em extrema humildade. E era alguém tão positiva, tão cheia de fé, tão tranquila, tinha tanta paz de consciência, era tão feliz e satisfeita. Fico perdido.

- Acho que é questão de essência mesmo.

- Não acredito nisso. Sei lá, se não é pensar de maneira primitiva: Deus meteu o dedão dele em um por um escolhendo como cada um deveria ser. E alguém é escolhido pra ser vencedor e outro pra ser fodido. Não tem lógica, não faz sentido.
- Entao se você não acredita, você realmente acha que é porque você é de classe média??

- Nenhuma das duas opções. Acredito que quem é aberto para sofrer emocionalmente consigo mesmo acaba virando positivo. Pois uma vez que você chega ao fundo do poço, você vê que há saída.
- Entendiii.

- Mas a grande maioria mente para si mesma, então está no fundo do poço e nunca sai, e considera isso como sendo a vida.
E ser emocionalmente aberto não tem classe social.

- Seu ponto de vista.

- E sei lá se esse é meu ponto de vista. Minha mente é infinita, não pára.
É o que penso nesse momento com trilhões de coisas na cabeça. Sei lá se amanhã será assim.
- Entendoo. Eu sou assim também, de leve. Mas o que está incomodando?
- Estou cansado das mesmas situações. Tipo o Y aquele dia, chamando meus gostos de verborragia. Tantas pessoas que conheço
que fazem descaso das coisas que falo… às vezes acabo me sentindo um inútil por desperdiçar meu tempo com elas, mas ainda assim tento.
Mas sei lá. Não respeitar, não valorizar, eu aceito. Juro que sim! Mas ultimamente andei recebendo TANTA, mas TANTA afronta. Ataque mesmo. E planejado, cruel, frio, com vontade de magoar… e isso está me destruindo.
- Mas se você se destruir com isso é foda. Porque não é nem eles, é voce mesmo. Entende?

- Eu to ligado, estou me auto-sabotando. Mas cansa. Estou explodindo. É gente demais. É um mundo demais. Eu não nasci pra esse lugar. Eu pertenço a coisas tão transcendentais… Não sou daqui.
Machuca já ter que viver aqui… E tanta gente cruel. Sei lá.
Fazem coisas comigo que eu jamais sequer sonharia em fazer com elas. E é isso que me destrói.
Por mais que eu aceite e não cobre retorno dos outros, um mínimo, básico, essencial eu espero. E esse é meu erro. Devia ser totalmente desapegado destas expectativas fugazes.

- Mas quase ninguém é desapegado.

- Deveriam ser. Por isso falo que está tudo errado…

- Eu também acho.

- :~
Enfim, já foi. Obrigado por me aturar.

- Magina, pode falar. Eu estou aqui pra ouvir hahaha

E assim terminei a conversa com ela.

Este é o maior post que já criei em meu blog. Um mínimo acontecimento que ocorrou mais cedo me fez ficar um tanto triste. Por eu ser muito intenso, acabei exagerando algo pequeno. Comigo mesmo, dessa vez não feri os que estão a minha volta, fico feliz e grato por isto. A verdade é que eu nunca desistirei, “Sempre estarei buscando os meus sonhos”, como escrevi no dia em que criei este blog, em um dia que eu realmente tinha depressão. O dia que eu realmente estava no fundo do poço.
Eu não tenho como desistir de mim. Eu amo muito quem sou, orgulho-me muito de mim mesmo. Não entendo como as pessoas às vezes dizem isso de ‘meu passado me condena’. O meu passado construiu quem sou hoje, e gosto de ser quem sou. Sou humano, é claro, há arrependimentos em muitos momentos. Mas não podemos viver só na vitória, como não podemos ser apenas fracassados. Não tem lógica. A Natureza sempre busca o equilíbrio em tudo que faz. Você, eu, eles, todos nós somos Obra da Natureza, não teria como o equilíbrio não tendencionar igualmente para todos nós.

Dia 13 de Dezembro de 2010 a minha bisavó morreu. Ela foi, é e sempre será, para mim, como a pessoa mais próxima do que chamam de ‘santa’ que eu já conheci. Ela era puro amor. E eu dedico este post a ela. Muito, mas muito mesmo de quem sou hoje, e de quem almejo ser um dia, eu devo exclusivamente a ela. Eu não sei o que seria de mim, eu não sei quem eu seria, se ela não tivesse existido.

Acredito que a metáfora de anjos e demônios correspondem às luzes e às trevas que habitam dentro de todos nós. É um assunto antigo, superestimado e superexplorado. Mas é o fato, o princípio da dualidade. Mas também acredito que há pessoas em nossas vidas que funcionam como demônios, que nos sugam, que apagam e matam todas as luzes, todas as manifestações reais de vida. E há pessoas que aparecem em nossas vidas como anjos, que trazem vida, que te empurram O Sopro, que te iluminam, que te trazem positividade. De certo, não sei para os outros, mas para mim, minha bisavó foi um anjo.
Frases que guardarei para sempre que ela sempre disse:
”Tudo passa”;
”Pior do que o arrependimento, é o remorso”;
”Reza. Tudo irá ficar bem”.
Não sei. Já encontro-me em um frenezi tão gigante e grotesco que não possuo mais noção do que estou pensando ou sentindo, meus dedos apenas digitam, e eu apenas vou acompanhando com meus olhos lacrimosos e cansados.
A verdade é que ela pode ter sofrido como o cão. Ela foi alguém feliz. E eu sou alguém feliz e quero continuar sendo. Não digo felicidade nesse conceito tosco que a Sociedade estabeleceu como um estado de espírito, uma droga que você precisa sempre consumir e consumir e sustentar o seu vício. Felicidade é um momento. Quero dizer que sou e quero sempre ser alguém que possui paz de consciência, a consciência tranqüila por ser como é.
Eu amo você, dindininha. Amarei para sempre, e você vive eternamente em meu coração. Não há um dia que eu não pense em você. Não há um dia que eu não queira seguir seus ensinamentos e ser puro, bondoso, caridoso como você era, como você certamente é.
Estou longe de ser como você, talvez eu nunca chegue nem perto. Mas com certeza saiba que você teve muito êxito em me ensinar o que é bondade, o que é comiseração, o que é piedade, o que é altruísmo, o que é certo e o que é errado.
O mundo pode me fechar. O mundo pode me limitar. O mundo pode querer me destruir. A vida pode querer me destruir. Eu mesmo posso querer me destruir. Não importa, não importa se as pessoas, se o exterior não acredita em você. Você é um exemplo de santidade em muitas de suas ações, na maioria para falar a verdade, por seguir exatamente o que sempre repito, que Eliphas Lévi disse em seu Grande Arcano da Magia Revelado: “Saber a verdade, Querer o bem, Amar o belo e Fazer o que é Justo. Porque a verdade, o bem, o belo e o justo são inseparáveis, de tal forma que aquele que sabe a verdade não pode deixar de querer o bem, amá-lo porque é belo e fazê-lo porque é justo.”
Quero ser assim. Não importa mais se o mundo não acredita, se o mundo quer me impedir. Pra mim dá certo, pra mim funciona, ser positivo e materializar meus pensamentos sempre me levou pra frente. Sempre digo que a realidade é você quem faz, e não possuo dúvidas disso. Então se sou ingênuo, infantil, sonhador, se vivo em um mundo cor-de-rosa, pouco me importa: pois quem está satisfeito, quem avança, quem obtém feitos sou eu, e não quem me critica.
Por isso estou me reerguendo, estou me reconstruindo, estou renascendo. A Fênix que há em mim deixou de ser cinzas, e agora é luz, é vida, é Águia Sagrada.

All The Demons Will Be Sucked To Heaven

Se sou um anjo ou se sou um demônio eu não sei, mas estou ascendendo ao céu, estou me entregando à luz… e todos os demônios serão sugados ao Paraíso.

06 novembro, 2011

The Roadway

Há caminhos em nossa Jornada.
A maioria procura o destino, não se importa com o Caminho, o que os tornam idênticos em suas escolhas.

E eu? Eu não acredito em verdades absolutas. Muito menos em meias verdades.
Tento enxergar o que se passa por trás das coisas, e vejo apenas uma repetição de valores.

 

Eu tento negar, perco-me dentro de mim mesmo, sonho como louco, minha imaginação alcança o céu, mas, por fim, é em suas verdades absolutas que acabo.

O 8 não poderia ser 5? O 6 não poderia ser 7? Que tipo de pessoa sou por não conseguir mudá-los? Estudando o Mito e o que há por trás de si, sou devorado e aprisionado por ele.

Quem soluciona paradoxos poderia ser esmagado por eles? A Loucura está em negar que a livre vontade é a corrente da Sanidade?

 

Há pessoas que passam vidas e vidas buscando Caminhos. Há aqueles que já chegaram e nem se deram conta disso.

Eu já cheguei, e estou farto de quererem impor meus caminhos. Minha Jornada é o meu Destino, nada, nem ninguém, poderá mudar isto.

29 setembro, 2011

Death Must Choke All Of Us

Death Must Choke All Of Us by Morphir
Death Must Choke All Of Us, a photo by Morphir on Flickr.

Via Flickr:
An empty room
Seduced by the mystery
Suddenly, where nothing seemed to contain, a man arises.
The man is a reflection of ourselves.
Furtive, surprising.
Papers, tears, screams and pain.
What is death if not transformation?
Everything has a beginning, reaches your climax and falls: the circle is infinite.
At the apex of a situation, who sabotages the man is not nobody but himself.
We destroy where we should build;
We build where we should destroy;
We sing to the Angels of Death when we should be Blowing the Life.
And in the least moment where everything seemed right and in order, there is Chaos. Nothing but the lack of Order.
While there is no order, there will be chaos.
The man built Chaos for himself. And you? What are you doing now?

~

Uma sala vazia
Seduzido pelo mistério
De repente, daonde parecia nada conter, surge um homem.
O homem é o reflexo de nós mesmos.
Ligeiro, surpreende.
Papeis, rasgos, gritos e dor.
O que é a morte se não a transformação?
Tudo que possui um começo, atinge seu ápice e cai: o círculo é infinito.
No ápice de uma situação, quem sabota o homem não é ninguém além dele mesmo.
Destruímos aonde deveríamos construir;
Construímos aonde deveríamos destruir;
Cantamos aos Anjos da Morte quando deveríamos Soprar a Vida.
E, em um mínimo momento, aonde tudo parecia estar certo e em ordem, surge o Caos. Nada além da falta de Ordem.
Enquanto não houver ordem, haverá o Caos.
O homem construiu o Caos para si próprio. E você? O que está fazendo agora?

12 julho, 2011

Fateness

O tempo se esvai como um punhado de areia entre seus dedos.

Tantas coisas acontecem, mudam, implicam e se transformam sem que você possa se dar conta de como ocorrem.

A sinfonia invade o salão, marionetes dançam como silhuetas; talvez sombras de uma mera pessoa é a marionete de uma silhueta.

O salão está sempre aberto, e você repentinamente descobre-se o senhor de sua alma, o capitão de seu destino.

Veste sua coroa, criados que o amam colocam sua manta, sua espada está apegada ao seu corpo, seu cetro lhe é concedido. Você possui o poder para mudar e realizar o que quiser no mundo, mas o que querer?

Mais e mais dança, transeuntes deliciam-se com o vinho sob o balcão. O toque gentil dos lábios em seus mamilos, a unha que rasga os poros de sua pele, os corpos que se preenchem junto a música. Sopros procuram respiração, assim como um corpo busca outro, para poder sobreviver. Gemidos invadem o palácio, e a orgia sangrenta pode ser a alucinação de um pobre garoto em seu quarto, perdido entre seus passos-sonhos.

E as lembranças? Memórias de lágrimas que se esvão, derramando-se sobre o carpete como o sangue colore o punhal.

Se há no sangue, a vida, haveria nas lágrimas os pensamentos?

Cristalizações de um sal árabe ainda não descoberto.

Por mais profundo que seja, tudo é abstrato, tudo é surreal. A linguagem das imagens é a linguagem da mente.

A pena perde sua tinta com carvão, a gaivota procura sol em meio a névoa. A garota seduz com couro, mas com trapos encontra-se suicidada. Suicidou-se a si mesma, dizem os jornais. Era uma tarde orgulhosa, não há dúvidas.

Porém, não são os atos que moldam o amor. É o amor que faz os atos. Passamos pela vida entre milhares de pessoas, sem nenhuma delas tocar em nós, sem nenhuma delas fazer diferença. Até que um dia você encontra alguém, e esse alguém transforma sua vida: para sempre.

Por que as pessoas não encontram alguém? Como poderia um gato encontrar o ruído de seus passos? Como poderia a montanha alcançar sua raíz? Como poderiam os loucos serem dignos da realidade? Como alguém busca algo sem conhecer a si próprio?
Cães farejam os cadáveres, cadáveres de uma noite. Uma noite de orgia sangrenta.

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14 fevereiro, 2011

Passos na areia. Profundo, frio e sereno. O vento a leva e nada pode curvar-se contra ele. Não pensar em lugar algum onde se possa prestar atenção. Atenção ao oceano queimando. Sabe-se que é apenas uma questão de tempo para as orações chegarem com a chuva. Sórbidos passos que destroem e movem tudo.

Os cortes agem rapidamente, sangue derramado sobre o gelo.  Mantemo-nos em movimento, em direções opostas. É melhor ficar sozinho, do que fingir que estou me sentindo bem. Empresários bebem o meu sangue há tanto derramado. No fim, não há fim, e o final está marcado a ferro e fogo.

Ninguém está em uma ilha, todos têm que partir. Sofrer por não conhecer a essência e a minuciosidade de fatos. O sangue escorre ao invés de lágrimas por existir, ao invés de viver. Fogo que queima o presente trazendo o lamento do passado. Neve que queima o futuro trazendo o medo do amanhecer. Sol que obscurece a Lua por possuir um mórbido desejo de aparições.

Impureza hipócrita e vil que destila sua peçonha para cima da pureza. Confessados escravizados pelo embriagado desejo infernal de querer. Desejar o que não tem, desvalorizar o que aparenta ter. Ilusões, passos, tempo, morte, sangue, frieza, cadáveres. Vãos ratos que roem o capuz do rei. Cabeças degoladas que torturam as pobres almas. Lobos cansados de treinar místicos para um panda destruidor. Círculos de fogo e ar que geram escuridão. Ampulhetas derretendo relógios e couro vestindo a Papisa.

Ainda assim, todos têm sua Profecia.

Ainda assim, todos tem sua pureza.

A essência está viva, o chamado está aberto. Aprender a voar e encontrar seus pensamentos. Formando o concreto e o certo a partir da sombra e do medo. Como conhecer o bem sem passar pelo mal?

 

beauty_of_the_third_acte_by_tomabw

02 outubro, 2010

Amor, ódio: uma linha tão tênue.

Realmente desejo reler isso no futuro. Por isso, imortalizar-lo-ei este post por aqui.

Penso que o mau não atrai as pessoas por ele em si, mas pelo poder que ele aparenta dar.

Engraçado como as coisas que vem de fora: aparência, beleza. manipulação, sujeira... parecem tão mais sexy do que a prudência interior.

Afinal, manter-se casto e correto realmente é um imenso desafio quando se vive em um mundo tão sujo. Começo a compreender, compreendo muito bem...

Compreendo que as pessoas, hoje, já sentem a energia, novamente, da busca da imortalidade. Pena que seja a do corpo, e não a da alma.

De que vale um corpo sem alma? Uma vida sem saúde ? Uma solidão sem evolução interior ? Pergunto-me, e realmente começo a achar que nada.

Porém, como dito anteriormente, realmente é um desafio sobre-humano lutar contra a sua natureza animal.

Devido a isso, compreendo o motivo de Crepúsculo fazer tanto mais sucesso do que Crônicas Vampirescas da Anne Rice.

Nasce, por fim, o desejo humano de imortalizar o interior, mesmo que ninguém saiba, mesmo que seja inconsciente...

As pessoas não desejam mais serem vampiros e, sim, anjos. Daí compreendo o porquê surgiu Fallen. Analogias subliminares e ocultas me cansam a mente...

08 setembro, 2010

Serenata ao Luar

Podem me perguntar por que me interesso tanto por tudo aquilo que não é superficial. Podem questionar-me por que gosto tanto dos desafios, daquilo que é coberto por sombras. Mas eu posso, posso sim te responder.

Eu gosto de sentir o mundo. Eu gosto de conversar com o que tem vida. Mas eu sinto vida até no que, aparentemente, não tem vida. Isso que me faz feliz. Eu amo a humanidade, eu realmente amo os meus semelhantes.

Eu considero semelhante tudo aquilo que cruza minha vida. Eu preciso de um sol em meus cabelos (preciso ter cabelos, por isso). Eu preciso de um vento gelado em minha cabeça quente de tanto pensar. Eu preciso de palavras doces que alcancem minha alma, meu coração e os meus sonhos. Eu preciso de noites gélidas e cálidas para organizar tantos pensamentos.

Sim, eu vivo para e pelos outros. A vida inteira fora uma maldição, mas não sei se é mais.

Adoro sentir a grama tocar os meus pés, o ritmo da água fluindo pelo meu corpo, o fogo que arde a cada novo pensamento, a terra em meus ossos me dando tanto sustento. Eu sou alguém que sente, eu preciso sentir.

Eu adoro a fumaça que eu induzo para dentro de meus pulmões e revelam o sentimento que sinto. Sinceramente, eu não mudaria nada que já vivi até agora. Esta é minha introduçao, este é quem sou.

Eu sinto, eu não penso, eu não analiso, eu não observo, eu só sei viver se tiver como sentir.

Os astros, o conhecimento, o céu, os livros, as amizades, as risadas, os choros, não me importa. A cada segundo que passa eu preciso sentir a harmonia que há entre a minha existência e o sentimento universal.

Sinto muito, eu não sou alguém que preciso de teoria, tampouco de prática, eu não preciso de dinheiro, eu apenas necessito para poder respirar, para poder rir, para poder olhar, tocar, sentir, ouvir e ver, eu preciso é sentir. Este é o meu sucesso, e para isso, preciso de pessoas.

Vivo para e pelos outros, pois não há sentimento melhor do que um sorriso produzido por você, um olhar grato e humilde virado a você. Por isso eu sou um médico de alma, enquanto houver no mundo pessoas que necessitem do meu apoio ou da intervenção de meus talentos, dificilmente colocarei meus próprios passatempos criativos em primeiro lugar.

É pela empatia imediata que sinto com os desprotegidos que vivo, é para reparar o que está errado. Preciso trazer harmonia e beleza ao mundo. É para isso que existo, é para isso que respiro, eu preciso viver. Meu viver é sentir. Eu transpiro sentimento, cada poro de minha pele é um sentimento. Então se você quer saber o que se passa pelo meu coração e pelo meu cérebro, não são palavras intelectuais, ou milhões de conhecimentos de milhões de livros que li, tudo que se passa em mim são os sentimentos.

Sou como o vento, não há forma, não possuo identidade. Sou o reflexo das pessoas que convivem comigo. Se o considero meu amigo, seus sentimentos serão meus próprios sentimentos. A minha melhor qualidade, empatia e compaixão, é também o meu pior defeito. Por isso às vezes alcanço a exaustão e preciso manter contato com ambientes inóspitos para poder me encontrar novamente, o próprio vento é solitário, pois dá tanto ar aos outros, que precisa de seu descanso na altitude solitária. Porém, quando as pessoas sofrem com os períodos de seca, lá estou eu, o vento, a risada, a música querendo reviver cada coração ausente.

Eu nem curto lutar muito por mim mesmo, mas sou muito feroz quando meu instinto de proteção e meu senso de justiça são despertados em nome dos outros, em nome daqueles que realmente necessitam de alguma ajuda. Eu realmente preciso de uma causa à qual me dedicar, alimentando-a com meus ideais e com minha convicção de que todos os seres vivos merecem respeito.

Por isso posso dizer que hoje estou feliz, cantando à noite, cantando à vida, esta é minha serenata ao luar, pois me conhecer é o maior desafio que já me impuis. Mas estou cansado de ser tão auto-crítico, tão perfeccionista e rígido comigo mesmo enquanto sou tão paciente com a vida e com os outros. Por isso, posso dizer, essa é a minha introdução. Podem querer me colocar pra baixo, pra cima, o vento não possui formas.

Identidades visuais, fotografias desiguais, fluxos repentinos, sou um peregrino !

Sentimentos momentâneos, amizades espontâneas, é isso que meu coração vibra agora.

Sim eu choro, sim eu dou risadas, eu não ligo mais pro que vão dizer. A vida inteira apontaram o dedo para mim, mas hoje estou feliz, hoje estou transbordando sentimentos e não há nada mais valioso para mim do que transbordar sentimentos. Por isso ria, chore, se isso é um transbordamento de sentimentos do mais profundo de sua alma para fora, transborde ! Pois, pela primeira vez na vida, estou transbordando não por amor, não por alguém, mas por mim mesmo ! E eu não poderia querer mudar nada em mim, não neste momento, pois isto é a resposta do que se passa dentro do meu coração e do meu cérebro neste momento.

Sinceridade, direto, franco, honesto, transparente, é isso que sou. Por isso eu canto, canto à vida, canto à noite, esta é minha serenata ao luar…

Clow-Back[1]

26 julho, 2010

Não é uma questão de não tentar. Os erros servem para aprendermos. Com o erro, a culpa. A culpa serve pra repetirmos o erro que nos botou em encrenca, ou simplesmente voltar e aprender a seguir em frente.

Nós tentamos sempre e sempre ficar a par da situação, tomar o controle e fazer tudo ficar bem. Não contamos com o imprevisível, com as alterações emocionais, com a brincadeira dos karmas e dos astros.

A verdade é que tudo começa, cresce, atinge o seu ápice e cai. Cai de uma maneira colossal, épica, trágica. Eis a Lei da Entropia: destruição para reconstrução. Porém, o mais difícil para as pessoas é perceber em que estágio as coisas estão. Pessoas não estão interessadas em descobrir a si mesmas, elas querem conhecer o outro, o macrocosmo, antes de conhecer a si mesmo, o microcosmo.

Você só terá empatia em ver que algo não é ‘frescura’ diante da sua reação, quando você entender a sua reação. O segredo da empatia, acredito eu, está em conhecer a si mesmo, identificar-se ou, pelo menos, entender a força geradora de um sentimento, de uma força, de um acontecimento para, aí sim, saber lidar com isto.

Creio que estou na queda e, se eu realmente quiser produzir algo útil e que faça algum bem a minha própria existência, eu preciso reconstruir e aprender, chega de repetir tantos erros. Meu pai sempre disse: “Errar é humano, repetir em um erro, é burrice.” Talvez seja um tanto radical, mas é verdade. Precisamos errar, errar, e não importa se foi uma ou oitenta vezes, precisamos é aprender com os nossos erros. Com o erro, vem a culpa e o arrependimento, a dor. Mas esta é a função desses termos tão abrangentes e, ao mesmo tempo, vazios em significado: aprender a seguir em frente de uma maneira melhor. Não seríamos humanos se não errássemos, mas estamos voltando a primitividade se percebermos e nem sequer tentar erradicar.

Talvez eu esteja sendo muito radical e inquisitivo, intransigente até, mas não é isso. Todos erramos mil vezes, é verdade. O que quero dizer é que errei durante quase uma vida inteira em uma mesma ação, que não cabe digitar aqui. Porém, eu a percebi faz cerca de 2 anos. Continuei errando, sofri denovo, denovo e denovo. Estou farto de sofrer ! Preciso fazer algo para erradicar isso, e para eliminar a peçonha da serpente, é necessário sugar todo o seu veneno, eliminar o mau pela raíz.

Estipulei a meta. Estou árduamente tentando cumprir. Essa é uma semana de luta, de batalha, mas eu sei que irei conseguir. Sinto o fogo em meus olhos, a chama que alastra por cada poro de minha cútis. É natural que haja muito sofrimento, mas eu já decidi, e irei sofrer se não seguir algo que decidi.

Por muito tempo, permiti que os outros tomassem decisões pra mim. Só Deus sabe o quão difícil é, para mim mesmo, admitir isso. Mas é a verdade cruel: por muito tempo tive medo de magoar as pessoas e tomei as escolhas delas, não as minhas. E chega ! Estou cansado disso ! Com razão, ou não, sei lá ! Só sei que estou cansado. Eu tomei uma decisão, e por mais que doa, doeria mais (e eu sei como isso dói, pois já passei por isso) se eu não optasse pela minha própria opinião. É uma libertação, é uma dádiva que me foi concedida para recomeçar, para aceitar mudanças, para plantar sementes boas e erradicar as ervas daninhas.

Pois bem, este é meu desabafo matutino, e foda-se, nem sei o que estou escrevendo, deve estar uma bosta ortograficamente e legivelmente (nem sei se essa palavra existe), mas é isso.

Com força,

Morphir

25 para 26 de Julho de 2010 às 05h47.

20 julho, 2010

O lobo e sua presa

Não importa o motivo, seu único ímpeto é a destruição. Não lhe resta sentimentos, não lhe importa o grande acúmulo de sangue. O que ele deseja é a morte. Sua caça não é moral, virtuosa ou cumulativa. A única função de seus homicídios é ser o que é, seguir seus instintos.

Deparei-me, há pouco tempo, com a brilhante conclusão (de um grande gênio, é claro) de que o homem é o único animal que precisa descobrir qual é o seu sentido, o seu instinto, o seu motivo de existência. Não estou com vontade de devanear a respeito disso, só sei que concordo em número e grau. Destarte, venho questionando-me qual é o meu instinto, como posso erradicá-lo, como posso reparar tanto mal.

Não importa se o fogo causado por você é oriundo de um fósforo ou de uma bomba nuclear, o fogo sempre irá se alastrar por todo o local, queimando, convulsionando, dilacerando sem pena nem dó. Estragos não são mesuráveis, sentimentos não são mesuráveis. Não há mais competição ou comparação, há apenas a destruição, e não importa o tamanho, pois que o tamanho depende de seu referencial, o que é infinito.

A essência das coisas é que vale. A garota tornou-se uma vagabunda. Foi a maneira encontrada para tentar juntar pedaço por pedaço de seu coração devorado por ele. Está certa ? Não posso julgá-la, não sou eu (graças a Deus) que estou vivendo em sua pele. Todavia, é por este motivo que existem regras e toda regra deve ser seguida.

Mas não é também animalmente comum o impulso de transpassar limites ? Eis o horizonte antropológico. Porém, acredito que isso que significa realmente, e literalmente, ser humano. Lutar contra o lobo que habita em seu coração segundo após segundo, quer você esteja mergulhando na luz astral, quer você esteja vivendo aqui a sua personalidade.

Ultimamente, ouvi coisas que realmente machucaram o meu ser. Porém, um espelho que reflete, não pode protestar ou reivindicar direitos quando um outro espelho é exposto à sua frente. Doa o que doer, é necessário deixar a fratura exposta para a moléstia poder respirar. Isto não impede as ações do ar, dos micróbios, do oxigênio corroendo a carne morta. Seria um sacrilégio dizer que não há dor, mas é o que é. É com as dores que são geradas as cicatrizes: doces selos que, eternamente, lembrarão-lhe a lição aprendida. Eu gostaria mesmo é de saber selar isto no microcosmo.

De qualquer maneira, estou devaneando e, como dito anteriormente, não possuo este objetivo. Só sei que todo ato destrutivo afeta a todos em seu Universo. Os atos auto-destrutivos afetam apenas a você, ou talvez uma ou mais outra pessoa, mas a destruição ? Fere a todos que estão a sua volta. O lobo encontra-se farto de destruir todos a sua volta, em qualquer momento de queda. Ele deseja agora saber manter-se firme, forte como é, respeitável, grandioso, majestoso, opulente e imponente como é. Como prosseguir ? Qual é o seu diagnóstico ?

Lágrimas sem fim. A bola rola e rola. Não importa mais o risco de uma Avalanche ou de um Terremoto, qualquer mínimo movimento sempre será a alimentação de um estado que já se encontra caótico. Porém, eu sinceramente indago a mim mesmo qual é a solução para uma avalanche. Chego a conclusão de que, como tudo, é fundamental eliminar o mal pela raiz. Se cada vez mais as bolas de neve são formadas, é preciso eliminar a força geradora dessas destruições. Suicídio? De certa forma, pode-se dizer que sim. Mas assim como é necessário extirpar com a boca toda a peçonha tóxica da serpente negra e maligna, é mister acabar com o que produz isso. E o que é isso ? Mentiras. É necessário acabar com todas as mentiras, não importa o quanto doa, destrua ou rasgue a ferida já exposta. Qualquer coisa é possível de se passar por cicatrização, mas primeiro, é essencial que se elimine o veneno que destrói as células.

Redijo então, agora, às 4h14 de 20 de Julho de 2010, a minha lista de metas para a recuperação total da sanidade consciente.

  1. Explicar à gentil senhorita que se não chove em uma região, o vale não pode estar sedento de água, mas pode desejar apenas um dinamismo atmosférico. Desculpar-se, ouvir o seu triste desespero, mas explicar detalhadamente que não é por a grande mãe não ter despertado o desejo mútuo que não há sentimento, apenas não é recíproco em grau, tamanho e forma.
  2. Explicar ao cavalheiro que, em uma viagem conjunta, se um decidiu optar pelo caminho destro, não é um ato egoísta não poder acompanhá-lo. Qualquer decisão tomada de coração é, sem dúvidas, precedida de pensamentos sob todos os aspectos. Pode ser que doa ao senhor tomar ciência de que estão diantes de uma bifurcação, mas, de certo, vale mais uma escolha prudente e sem arrependimentos, do que um risco que leva ao abismo e a morte, onde o arrependimento e a escuridão reinarão eternamente.
  3. Começar e terminar toda a tragada sábia de sabedoria (não é pleonasmo, você sempre irá entender esta frase, não importa quantos séculos se passem), para adquirir a ousadia, o silêncio e a prudência. A razão não é um frio reptiliano, é o calor que acende a chama.
  4. Alcançado o mais profundo da toxina, irá realizar a tarefa mais difícil: publicar a verdade à Árvore, a verdade mais profunda e vergonhosa e, diante de seus méritos, sinceridade, compaixão e tarefas cumpridas, o mal não irá vencer.

Este é um texto para mim. Quando digo para mim, é do mais profundo sentido de ‘para mim’. Se você leu isso, perdeu seu tempo, pois foi escrito apenas para mim, ou seja, você jamais irá entender.

Luz e Paz no meu coração, a jornada é repleta de pedregulhos, obstáculos míticos que soltam chamas de seu coração. Não importa, irá vencer por ousar o que é certo e calar com discernimento.

Tenha uma boa viagem, Artur.

 

Depois de um tempo, aprende-se a saborear e gostar

06 julho, 2010

Esperança

06-Os-Enamorados[1]22
        Não sei como começar este texto. Temas abstratos, normalmente, são árduos para expressão humana. Talvez seja insanidade em minha mente constantemente nevrostênica. Talvez não. Ora pode ser por eu ser escorpiano, com ascendente em peixes e lua em virgem, ora não. Mas a verdade é que sou o que sou. Sempre tentando, desde que me conheço, conhecer a confusão que é a minha existência. Destarte, pode ser por isso que eu possua tamanha facilidade e apreço pelo incompreendido, pelo mistério, em ver o impossível como possível, naturalmente que materializam-se, tomam a sua quarta forma.
         Os pensamentos são essa materialização, o Imperador (4). Tomam sua forma, tornando-se imortais. Já ações, creio que são como o segundo arcano do Tarot, A Papisa, é o conteúdo da forma, mas podem morrer, podem ser mortais.
         A âncora Cristã (e não cristã) é formada pelo triangular:

                                                          Fé
    

                              Esperança                      Caridade

         Eliphas Levi dissera: "Todo poder mágico está no ponto do equilíbrio Universal. A sabedoria equilibrante está nestas quatro máximas: Saber a verdade, Querer o bem, Amar o belo e Fazer o que é Justo. Porque a verdade, o bem, o belo e o justo são inseparáveis, de tal forma que aquele que sabe a verdade não pode deixar de querer o bem, amá-lo porque é belo e fazê-lo porque é justo.
         O ponto central na ordem intelectual e moral é o laço de união entre a ciência e a fé. Na natureza do homem este ponto central é o meio pelo qual se unem a alma e o corpo para identificar a sua ação. Todo homem está destinado a atingir este ponto, porque Deus deu a todos uma inteligência para saber, uma vontade para querer, um coração para amar e um poder para operar."
         O mesmo se aplica a âncora Cristã: é necessário ter Esperança para o êxito, a Caridade para consolidação, Amor para a Fé e a Fé para a realização. Temos uma inteligência para saber que somos todos Um, logo, seguindo a Correspondência, sendo caridoso com o próximo, tornas-te caridoso por si mesmo; temos o sentimento de Esperança para querer, desejar, esperar e um coração para realizar tudo pelo Bem Maior, trazendo à tona o poder da Fé.
         Quando o assunto é abstrato, impalpável, é um sentimento ou se trata de misticismo, ou melhor, quando um tema trata-se de Fé, e não de Ciência, é como se estivéssemos em um infinito Oceano e, por acaso, um perdido companheiro pedisse para provar o horizonte. Não há como provar o horizonte. Encontrando a harmonia entre o seu ser, a sua existência, o seu coração, o seu sentimento, todo o seu ser interior com o exterior, prova-se a si mesmo a razão do horizonte. Mas isso depende de cada um, de seu coração, de sua visão.
         Todos nós vivemos em uma jornada infinita onde todos estão sozinhos, para poder descobrir que todos são parte de um só. Há certas coisas que para se falar depende, e muito, de suas vivências, experiências adquiridas. Não adianta o cego explicar a cegueira para aquele que nunca a teve. O verdadeiro sábio dá a resposta, mas selada em meio a figuras de linguagens, símbolos, para não retirar a oportunidade de escolha de quem o procurou. Gosto de falar de Jano, o deus menor grego das portas, das escolhas. Associo-o também ao arcano do Tarot dos Enamorados (6). Sempre que se segue um conselho, se retirar o livre arbitrio do locutor, não é um conselho, é um assassínio. Cada um precisa enxergar o seu caminho por si mesmo para que, no futuro, todos se encontrem na linha de chegada.
janus08[1]33

         A esperança consiste justamente na linha de chegada. Não importa o que aconteça, não importa as adversidades da vida, "enquanto há fé, há esperança". As pessoas que possuem diligência, fé, não desistem. Pode a chuva cair, mas qualquer tempestade tem fim. As pessoas sempre possuem a Esperança de conseguir alcançar o objetivo, o caminho que almejam.
         É um sentimento presente em cada um de nós, todos já a sentiram, sentem e irão sentir. Mas não há como explicar-lhe. A esperança, a fé, a caridade e o amor são intrínsecas, inseparáveis, pois é como um tripé: retirando-se um pé, todo o objeto encontra a queda.
         A esperança é a Luz, a Força que nasce dentro do mais profundo do nosso ser, desconhecido até por nós mesmos, que nos move, que nos dá Coragem para seguir em frente, para separar o Joio do Trigo, que nos dá foco para realizar, com êxito, nossos objetivos.
         No dia-a-dia, creio que a Esperança está em nossa Criação. Vivemos em um mundo frenético, louco, ávido pelo exibicionismo, pela vaidade, pelo pó, pelo materialismo, cada vez mais no fora, e cada vez menos no dentro. Acredito que a esperança, dentro de mim e, de certa forma, em todos, está em cada dia poder criar um refúgio a tudo isso. Em poder criar a própria personalidade, o próprio modo de ser, viver cada segundo de uma maneira nova, por meio de conhecer. Acredito que a Esperança nos leva ao amor próprio, uma vez que nos ensina quem somos, nos faz parar para refletir e fitar o quanto mudamos, amadurecemos, evoluímos e crescemos. Paramos para refletir nas interpéries da vida, e não nos momentos bons. E são nesses momentos de tristeza, de possível perda, nessas chances de recomeço é que se dá uma nova chance a si mesmo, e é aí que nasce a Esperança: de dentro nossos corações. Colhemos o que plantamos, disso todos nós sabemos. Mas é muito difícil refletir e encarar cada situação, cada ação, pois que, como dito anteriormente, o pensamento é imortal, mas a ação, mortal. Se nos isolamos para estudar, para nos entender e, depois nos sentimos sozinhos, não sabemos o motivo. É na tristeza que nasce a Esperança, uma vez que quando se está alegre, há uma aparente visão de harmonia, de sincronicidade, de objetivo alcançado. É na tristeza que encontramos os obstáculos em frente aos nossos pés, na estrada. É na tristeza que pensamos em parar e recomeçar, de uma nova maneira. Isto que difere a Fé, presente em qualquer situação, da Esperança, que nos conforta com a Fé.
         O que esqueço muitas vezes e, creio que todos devem ter momentos de queda, é que temos esperança e medo em nossa mente, onde oramos por alguém que seja iluminado e que possa nos dar seus poderes positivos. Mas, acaba sendo um pensamento como o de um dono de cão que dá um biscoito para agradá-lo, não precisamos querer agradar seres iluminados, rezamos para conseguir a aptidão de receber sua Graça incondicional. "Somos como uma bola de ferro impenetrável sem uma argola que possa ser fisgada pelo gancho de sua compaixão".
         Sempre tive um lema de vida que diz: "se está parado, faça caridade. Se está ocupado, ore". Acredito que o meu caminho para incorporar a Esperança de modo definitivo em minha vida irá se iniciar no dia em que eu realmente aplicar isso com todo o meu corpo e alma, que, com certeza, trará-me muita paz, serenidade, luz e sabedoria.
         Já foi dito, mas faz-se mister salientar que, sob a óptica espiritual, acredito que a Esperança é um dos alicerces da Fé, da Caridade e do Amor.
         Todavia, apesar de tudo, só posso usar a clássica frase: "Eu só sei, que nada sei", pois possuo apenas dezoito anos e tudo que eu ouso dizer saber e acreditar é apenas um grão de areia diante da complexidade e infinidade do Conhecimento Universal.
         Creio que, ao invés de uma dissertação, acabei por redigir um desabafo, um devaneio dentre tantos que vivem em minha mente. Espero que não tenha problemas com isso, e muito obrigado pela oportunidade concedida.
         Paz e Luz,
         Morphir


"Senhor dos Céus e da Terra! Abençoai nosso ideal, aqui e além,
…dai-nos o poder de entender a Vossa bondade, para que seja cumprido a lei.
…Dispensai o nosso ódio, para que haja alegria.
…Dispensai o medo, para que surja a coragem.
…Dispensai a inércia, para que nasça o trabalho.
…Consenti, Senhor, que o Vosso nome não fique em vão nos nossos caminhos,
…nas nossas atitudes e no nosso amor para Convosco, para com o próximo.
…Ajudai-nos a aumentar a nossa fé, para que possamos doar esperanças,
…fazei-nos que nossa caridade de avolume, para que possamos doar paz,
…ajudai-nos a multiplicar a nossa fraternidade, para que possamos doar amor.
…E que, ao sairmos daqui, sejamos interligados pela luz, onde brilham as estrelas,
…ainda que distantes umas das outras.
…Que se faça a Vossa vontade e não a nossa!"
 Francisco de Assis

01 julho, 2010


Devaneios de uma mente desprisionando-se

Vermes que atravessam a pele por cada poro.
A múmia em seu desespero imortal.
Do que vale a eternidade
Se você está condenado ao horror da morte ?

Melodia nevrostênica,
Medo do predador,
Até quando essa loucura epidêmica,
Irá causar a criação do buscador ?

Pois aquele que conhece a si mesmo,
Torna-se um louco perante o mundo.
Porém, és um belo ufano
Diferente do profundo que não é oriundo.

De que vale a morte,
Se não investir na vida?
De que vale contar com a sorte,
Se não der a sua atrevida investida ?

Aqueles que não conhecem a si próprios,
Não conhecem o mundo em que vivem.
Debilitando o impróprio,
Não há mais aqueles que sobrevivem.

Louco tu és por matar,
Não por sonhar.
Louco tu és por agredir,
Não por exprimir e advir.

Esta é a Ode à Solidão,
Decrépita, Morta, Mumificada.
Pois não há abolição,
Se não houver a divisão de cada.

A Justiça é cega e equilibrada,
Todos hão de passar por Cronos,
Com sua foice maligna, sombria e justa,
Seu rosto de fêmea, que assusta e custa.

Mas não temas, gentil e pequena menina.
Cada um colhe o que planta.
Invista em sua argelina,
Que, de fato, encontrará sua manta.

Farto estou eu de digitar,
De pensar, de questionar.
Farto estou eu de surtar,
De chorar e de suplicar.

Se com a dor da alma e do coração,
A humanidade não quer me conceder o perdão
Mesmo fadado a solidão,
Eu que perdôo a mansidão, os meus irmãos.

Pois a Liberdade se conquista desintegrando a Prisão,
Quem pensa o contrário... bem, quem sou eu para julgar?
Mas de certo, o caminho há de ser muito mais em alucinação,
Do que, de fato, poder afofar e ajuizar.

Não sei mais o que se encontra no meu coração e em minha mente,
Encerro aqui o infinitésimo relato de uma mente em insano.
O mesmo laptop, a Lua que tanto muda, a Rosa que desabrocha arduamente,
O mesmo cigarro que mata, corrói e destrói, acarretando a transcendência do ufano.

20 junho, 2010

Ser louco és desejar a cada segundo, a cada instante de sua vida, que a morte se aproxime.
O louco não suporta o mundo que vive. O louco busca eternamente algo que não se encontra aqui, isso o torna louco.
O diagnóstico é de como se você se virasse ao avesso, retalhasse milímetro por milímetro, retirasse primeiro os órgãos, de uma forma tão torturadora que enlouquece de dor. Após o procedimento, retire cada tecido, lentamente, cada célula, até a destruição total de átomo por átomo.
Ao final da operação, pegue todo o seu Ego e toda sua Alma e os enrole, desenrole, recorte, cole, mexa e remexa em movimentos compulsórios e convulsivos.
Torna-se assim, a maldição do louco: viver a cada segundo, a cada instante da vida, o seu processo de execução.

Minha doce luz, meu eterno resplandecer de sonhos, de alegrias, de esperança. Trouxe-me fé, orientou-me para qual caminho devo prosseguir minha busca. Sinceramente, falando de todo o coração, desejaria desintegrar-me ao pó a cada segundo, a partir de agora, até a eternidade.
Compreendereis Abraão a partir do momento que executares tudo aquilo que é importante a ti.

Obrigado por cada gesto, cada doce palavra, cada olhar amoroso e penetrante. Tu irás odiar-me e não irá me perdoar, realmente crê que eu não possua essa ciência ? Mas isto, nem de longe, é maior do que a imensa dor que sinto e meu eterno arrependimento. Serás para sempre o meu eterno luar, o único e sincero amor que já pude e desejei ter.

As estrelas serão as testemunhas do fardo e da dor que desejei suportar.

As cartas viviam em um pandemonium, embaralhando-se e entrecortando-se, e está dada a cartada final. Desci às trevas novamente, olá minha doce solidão, olá horror e arrependimento. Amaldiçoado, abandonado por mim mesmo, tudo que posso desejar é a prova de que tudo vale a pena.
Acredite em mim, seja lá quem você for, largar quem amas por amor ao TODO é a tarefa mais ardilosa, hedionda, horrorosa, tenebrosa, assustadora, terrível, inadmíssivel que já consegui proceder.

Sob o calor do Sol, refletido por sua luz crescente, envolvente, quartenária e angelical, entrego-me ao Caos, para poder iniciar a criação.












Acontecer, não acontecer, por favor Hades, traga-me. Esse é o suplício de um louco que caiu, na fé de poder lançar-se ao mais alto do céu.

26 maio, 2010


Ando muito triste.
Meu andar, é caminhar.
Porém, sinto muita tristeza.
Minha caminhada não é um sentimento.
Ou seria o sentimento a minha caminhada ?
Tanto faz, como tanto fez.
Não importa mais se caminho
ou se estou triste,
pois o fato é que sou, caminho
e sinto tristeza.
O sentimento da alma distante de Deus:
Isso é a tristeza.
Não importa mais se ando triste
Ou se sinto-me triste
Pois a tristeza imperou no final.

O abstrato é belo, pelo apelo ao desconhecido.
O mistério dá gosto à existência.
Seria uma forma de morte,
Uma vez que a dança sublime é oculta ?

Não importa. Que a dor dance consigo, vou emergir. Não os deixarei apoderar-se de mim. Boa noite...

A clarividência é um dom, diria a gentil senhora. Eu a chamo de maldição, o tal do dom, por você acabar conformando-se com o que pode ser mutável. Trazer a imutalidade ao mutável não é uma escolha inteligente. Mas também, talvez os tolos busquem a inteligência. Vale mais a sabedoria do que a esperteza. Seria possível adquiri-la sem o inquérito inteligente ? Você sabe a resposta. Eis o segredo da maldição.

"Mas lembre-se, garoto: Um ato bondoso às vezes pode ser tão poderoso quanto uma espada. (...) Às vezes pequenas coisas podem se tornar realmente grandes."


A loucura parece insanamente e intensamente alegre e dolorosa. És um sentimento tão puro, nobre, mas tão repudiado. Seria um ato sábio aceitar a loucura ? Que as ninfas protejam o jovem, pois ele está sendo diagnosticado como louco...

25 maio, 2010



Mistério seduz minha mente. Perambulo entre ruas e avenidas apenas com um desejo: encontrar-te, suave harmonia da morte.
Como podes ser tão bela perto de todas as outras cousas ? Como pode possuir tanta sintonia e harmonia ? A brisa bate sob meus pés, meus sentidos não permitem sentir, mas eu sei, algo dentro de mim alerta que bem abaixo de mim há uma infinidade de criaturas que minha imaginação não é nem sequer capaz de prever. Não me importo. Caminho, trago o meu cigarro, meu fiel companheiro que a cada dia me leva mais próximo de ti. Meus olhos não são mais os mesmos, carregam velhice, dor e muitas jazidas de lágrimas. Meus cabelos foram, certa vez, finos e belos. Agora, oleosos e descuidados lutam contra o vento.
Esse é o estado de quem transcende. Para compreender o infinito, deve-se esquecer do finito. Ou nem eu sei o que estou dizendo, mas o fato é que somente com a dor e o sofrimento você consegue desapegar-se do mundo. Essa é o verdadeiro escape dos pessimistas, taxicômanos e depressivos: ligar-se a um mundo de aparentes trevas para desligar-se de um outro universo de pseudo luzes.

Não há como saber o que sentir. O casaco está pendurado na parede; o ventilador, desligado no canto. A janela sopra um suave convite para o céu, para o vôo, para a liberdade. Mas o que seria estar livre ? Ser livre nada mais é do que ter noção dos seus valores. Eu possuo valores ? Não. Você não possui nada, pois você é um vácuo. Vácuos não são capazes de possuir. Faz-se mister salientar que, sendo um vácuo, pelo menos você é quem faz o labor de limpar a bagunça das mentes. Você sabe, não é mesmo ? Eu sei que você sabe o seu futuro. Não é assim tão distante e raro de se imaginar. Não digo de coisas simples e voluptuosas como sucesso, poder, isso tudo é muito pouco e muito estúpido. Digo da insanidade, a fúria dos outros por verem o seu talento. Não são todos capazes de enxergar a si próprios, de enxerga-los. Foram pouquíssimos os homens neste planeta que conseguiram interpretar tais signos.

E a doce melodia recomeça. Era uma tarde de outono, o chá encontrava-se gelado. O que mais poderia ser quente ? Quando se está cansado da vida, a morte o visita retirando o calor. Anti-mônio para os demônios, tungstênio para a fortaleza. Do que adianta possuir teoria se você não conhece a prática ? Você tentou, você persistiu. Disseram-lhe que os grandes trabalhos são obtidos por perseverança, não força bruta. Será que sua perseverança não foi julgada como suficiente ? Provável... Mas não importa mais, você não se importa mais. Mesmo com os rituais, ou os poderes, você está farto. Farto de ter luz e não saber usa-la. Farto de ter conhecimento e não poder compartilha-lo. O mais irônico é que você chorou a vida toda por algo que, quando fora seu, você chora por ter. A vida é irônica, só sabe vivê-la quem poem o conhecimento em prática. Você tem o conhecimento, mas você não sabe interpretá-lo. Seus mestres o abandonaram, dizem para você crescer sozinho. Não julgue seus mestres, mas eu o compreendo, quando você lê que os mestres dedicam o dia ensinando tudo o que sabem para seus aprendizes, você sonha que isso seria com você. Você não é um aprendiz, você é apenas a escória do conhecimento. Os dévicos desistiram de você, os humanos então ? Nunca sequer gostaram. Você já foi um dia chamado de grande potencial. Porém, seus erros foram tamanhos que só com o recomeço terá salvação. Mas não chores por isso, jovem criança. Todos aqueles que conseguiram, tentaram e erraram tentando. O sucesso nada mais é do que o acaso, não é você quem define o sucesso.

Tal artrópode parece úmido, imóvel, imutável. Mas o que seria imutável ? A Natureza é tão grandiosa e você não sabe aproveita-la. Não foram os dévicos que desistiram de você, foi você que desistiu dos dévicos. Como você quer que quebrem uma Lei e se fodam por sua causa sem tentar ? As Leis não são quebradas nem marginalizadas, você que precisa se encaixar na lei. Todavia, eu compreendo a sua carência. O domínio dos elementos não é uma brincadeira de criança, e você é uma criança. Não creio que estejas no caminho errôneo, mas não custa nada tentar. Nunca percas a fé, jovem. É com a fé que a transmutação ocorre. Afaste-se de quem faz mal a você. Você sabe que fazendo o que queres, há de estar de acordo com a Lei. Mas você vê vê as pessoas se afastando e pagando. Seriam elas que não fazem o que querem ? Tantas dúvidas súbitas e letais, não é uma brincadeira, não é uma brincadeira...

As mentiras se vão tão rápido. Você se importaria se eu não tivesse o que dizer ? A minha luta está em ficar em silêncio, mas você não permite. Aliás, eu nem sei quem é você, mas obrigado por me fazer companhia. Lágrimas caem sob minha face e eu nem sei o porquê. Tudo o que desejava está em suas mãos, o que você pode fazer ? E o medo ? O medo da dor. Você conhece o fundo do poço melhor do que ninguém, você possui até a sua suíte vip. Mas e as pessoas com quem você se importa ? Elas só tiveram vagas passagens. É complicadíssimo o caso, ainda mais quando a responsabilidade está em suas mãos. O que você faria em meu lugar ?

Quando fico a pensar em não ser nada, o nada apodera-se de mim. Enquanto espero a doce lua aparecer, com seus brilhos de leves estrelas, vejo como faço parte de um vasto e obscuro mundo. E, nesses momentos que aparecem turvas imagens da beleza, meu espírito chora, em silêncio. Pois nada mais são do miragens, sonhos distantes, intocáveis, impenetráveis, irreais. Por que sou condenado a viver na irrealidade ? Pois, quando estou só, completamente só, vejo como a margem do obscuro é impossível de ser alcançada, e anseio imergir no nada, mas a hora tão sonhada cospe-me violentamente para fora.

O que é belo, há de ser eternamente. Pelo menos, é o que Keats disse. Há de se viver da alegria, que é eterna, e seguir a morte do presente. É o meu consolo para a volta dos sonhos, das séries de acontecimentos. Sujo-me, e é tudo sobre sabor, cheiro, toque, cor e mão na massa. Tamanha sujeira que faço é, na tentativa, de se limpar. Meus amigos dizem que boas intenções revelam um coração puro. Destarte, eu estaria bem. Minha mãe diz que de boas intenções o inferno está cheio, creio eu que concordo com ela. O que vale, para o Julgamento, são suas ações, não suas intenções. E, infelizmente, minhas ações são uma coletânea de podridões.

Não sei mais o que digo, penso e ajo. Melhor parar por aqui, obrigado pelo tempo que esteve comigo, ninguém.

My life...

20 maio, 2010

"Todas as experiências que fazemos passam pelo crivo de uma experiência original ou elementar. Essa experiência elementar consiste em um conjunto de exigências que servem como um critério de avaliação de tudo o que fazemos ou encontramos.
Às exigências estruturais do homem podem ser dados muitos nomes (exigências de felicidade, verdade, beleza, justiça etc) e são elas que nos põem em movimento, pois tudo o que fazemos e desejamos dependem delas. É a marca interior que os homens têm em comum uns com os outros: para além das inúmeras diferenças culturais, temperamento e gosto, todos ser humano possui essa experiência elementar que, traduzida e vivida das mais diversas maneiras, é substancialmente a mesma para todos nós. Todo ser humano, pelo simples fato de existir, afirma ainda que inconscientemente um desejo de felicidade, beleza, justiça, verdade – em suma, de realização total e plena, que é expressa muito bem na música “Comida” de Titãs: queremos algo a mais que a comida e a bebida, isto é, do básico para continuar sobrevivendo. Esta é a dignidade da existência humana.
Quem quer se tornar maduro sem ser enganado, instrumentalizado e escravo dos outros, deve se habituar a comparar tudo com a experiência elementar. É preciso aprender a não aceitar passivamente tudo o que a mídia e a moda nos apresentam: diante de qualquer acontecimento ou encontro, devemos nos perguntar se o que estou experimentando corresponde a nosso verdadeiro desejo de felicidade, justiça, beleza e verdade. Esta é uma tarefa nada fácil, pois a mentalidade dominante dos nossos dias tende a ditar normas de pensamento e comportamento, abafando e alterando os critérios originais dos quais somos dotados. E o resultado disso é a alienação e a distração com o nosso próprio eu, quer dizer com muita freqüência pensamos que desejamos algo e de fato quem deseja por nós é a mídia, o grupo social, etc. O trabalho todo neste curso pretende ter uma ajuda para se saber qual o desejo verdadeiro em cada situação que a vida oferece.
O desafio mais audaz a mentalidade dominante é tornar habitual em nós a avaliação de tudo à luz das nossas existências estruturais e não à mercê das reações instintivas de um momento ou de acordo com o que ditam os meios de comunicação de massa. Aquilo que cada homem tem o direito e o dever de aprender é a possibilidade e o hábito de comparar cada proposta com a sua experiência elementar: este é o início da experiência de liberdade". ~ Professora da Bruna de Antropologia Filosófica

Independentemente da cultura e bagagem que uma pessoa traz consigo, toda humanidade possui certas metas de vida em comum como amor, paz, justiça, boa aparência, entre outros. Este é o alicerce que sustenta a humanidade, a eterna busca por valores considerados ideais. O grande problema está nos grandes veículos de comunicação em massa que nos ditam idéias prontas para se pensar, eliminando a nossa liberdade de pensamento e da vida em geral. A experiência elementar consiste justamente neste ponto: saber diferenciar a opinião da mídia do nosso próprio pensamento, tornando assim, possível a nossa liberdade, uma vez que conhecemos o que realmente pensamos e consideramos.

Recentemente, com a Lei Anti-fumo, o cigarro é considerado o maior inimigo da saúde. As pessoas esquecem que se, por exemplo, alguém fumar 3 maços de cigarro por dia durante 3 anos, a pessoa não apresentará nenhum efeito grave como câncer ou necrose. Porém, se uma pessoa passar 3 anos de sua vida embriagando-se, ela irá apresentar loucura, poderá adquirir sérias doenças psiquiátricas e a saúde ficará extremamente debilitada. A opinião massiva associa o cigarro com sujeira, com morte, com asco. Todavia, esquece que o álcool é uma droga lícita muito mais letal onde a cultura permite livremente o seu consumo. Enquanto eu andava na rua, deparei-me com este maço de cigarro e este pequeno, mas complexo, pensamento veio em minha mente, o que o tornou importante pra mim, uma vez que acredito que passei pela experiência elementar, saindo da óptica comum.


Renovando-se com a morte de cada dia, encontro a sabedoria... pelo menos, tenho fé nisso.

06 maio, 2010

Um desabafo à minha antiga estrela do amanhã

Sei que é um pouco orgulhoso de minha parte, e soa até irônico, vindo de alguém que tanto criticou o seu orgulho. Por favor, compreenda, eu sofri muito. Possuo cicatrizes eternas causadas por você. Não tenho a intenção de te acusar de nada, não há certo e errado quando se fala de amor, e até porquê eu nem irei mostrar isso a você. Apenas como um desabafo resolvi redigir aqui o sentimento que agora está pulsando aqui como na velocidade da luz. Eu realmente não te conheço, mas não é uma provocação o que faço também, a verdade é que sempre quis te conhecer.
Quando o vi pela primeira vez, você era uma pessoa doce, gentil, romântica. Eu nunca conheci ninguém com aquelas palavras, aquele olhar, aqueles toques. Não sei se sinto saudades, provavelmente sinto, uma vez que sou um eterno carente. A verdade é que realmente amei você de uma maneira que me sufoca, até hoje não consigo compreender como fui capaz de amar tanto alguém. Hoje somos amigos, iremos viajar, iremos para o show, eu tenho consciência e nem quero que se repita tudo aquilo. Já é completamente contra os meus princípios ser seu amigo, imagina ainda sequer pensar na possibilidade de um recomeço. Mas... egoísmo, sadismo, masoquismo, sentimentalismo, orgulho a parte, ou melhor, sentimentos ruins a parte, a verdade é que sempre te admirei por aquilo que avistei ao mar. Tamanho carinho, preocupação, palavras, gentileza... aquilo era tão... dévico.
Eu só posso agradecer por tudo que passamos juntos, não sei como explicar. Eu serei eternamente grato por cada palavra, por cada gesto. E eu não quero lembrar de momentos ruins, de sentimentos ruins, pessoas frustradas e rancorosas vivem assim. Eu não desejo ser assim, sinceramente, abomino essa idéia. Apenas lembro do mar, as ondas na gente, a gente rindo, vivendo cada segundo. Os beijos escondidos por medo de alguém ver. O céu estava tão nublado, mas ao mesmo tempo tão aberto aquele dia ! O cheiro era tão marítimo, eu me sentia tão seguro, tão digno de ser amado, tão pronto para renascer...
Lembro das preocupações com minha amiga, deprimida, achando que nos atrapalhava. Mas... como descrever algo tão divino ? Era empático o que tínhamos naquele momento. Não precisávamos nos deitar, fazer amor, nem sequer nos tocar, apenas a presença, o fato de estarmos tão próximos, de tudo parecer realmente um sonho, aquilo valia mais do que qualquer prazer, do que qualquer palavra, do que qualquer olhar.
Eu não quero romantizar, apenas... é uma história romântica ! Nunca vou esquecer de assistir "Morte em Veneza" de mãos dadas, os planejamentos de sonhos, de viagens, de encontros, de amor. Você me ensinou a respirar arte, a viver o momento, você me ensinou como sentir. Você me ensinou a gostar de gêmeos, e só poderia ser com você, com mais ninguém eu conseguiria aprender tudo que você lecionou.
Porém, assim como o mar que tanto amei compartilhar a sua presença, você entrou de ressaca. Sugava-me, tragava-me, a violência. Comecei a conhecer uma face que não era você, minha consciência parecia até feminina, pois eu só me remetia ao passado, passado de gentileza, de empatia. Eu definitivamente não sou de viver o passado.
Agora, depois de tudo que já vivemos, discutimos, não tenho mais coragem de chegar e lhe dizer isso. Se apenas um aprofundamento de conversa já me deixou no estado em que estou, imagina então vencer distâncias e barreiras para dizer que a verdade é que tudo que aconteceu foi por eu conhecer uma fase negra, uma nebulosidade nessa praia. Eu não aguentei, era muito pesado para tanto idealismo romântico da época. A verdade é que eu sei que você é gentil, eu sei que romantismo define você, assim como sei que você vive o momento muito mais do que eu. Seria impossível para uma esponja espiritual, como você e minha mãe, mantermos algo tão a distância, ainda mais quando você convive com pessoas tão realistas. Porém, algo em mim, bem no fundo, diz que você é sim uma eterna brisa de primavera, completamente sonhadora, uma pessoa eternamente fora do ar. Em meio a tanto ar, para quem viveu a vida toda apenas na água, produzira tamanha maremoto ! Mas só posso dizer... como sou grato a tudo isso ! Hoje, de volta à superfície, sinto falta do sentimento. Mas só posso dizer que pude conhecer as profundezas, o fundo das trevas e voltar vivo, graças a você.
Você é o verdadeiro sábio, e eu tiro o meu chapéu. Preciso ainda aprender a devanear como você, a filosofar como você, a literalmente pirar como você. E eu sei, hoje, que sou capaz disso ! Você é literalmente a estrela que me guiou para isso. Eternamente obrigado, doce brisa, por ter passado em minha vida e a mudado de uma maneira tão radical.
Além disso tudo, gostaria de dizer e, do fundo do coração acreditar, que a verdade é que apenas conhecemos a casca um do outro. Eu não conheci o seu verdadeiro eu, que tenho plena certeza que é belo como o mais antigo conto de fadas, assim como você não conheceu o meu, que é mais nebuloso do que a mais antiga tempestade. Chego a triste conclusão de que mudei tanto no decorrer da minha vida que nada sei. Não sei mesmo. Não sei como penso, não sei como sinto, não sei como reajo. Talvez você sim que me conheça profundamente, mas não gostaria de acreditar nisso, isso me faria um pequeno monstro arrogante. Eu não desejo isso. Eu realmente acredito que possuo um imenso coração e uma capacidade para amar gigante. Acreditar ? Não. Disso eu tenho certeza, pois isso, eu aprendi com você.
Eternamente obrigado, novamente, por tudo. Um beijo cálido como a brisa do fim do outono, anunciando a chegada do inverno, que é o que sou, mas com sentimentos que a tornam mais quente do que a maior clareira do Olimpo !
Com muito, mas muito amor e gratidão,
Artur

À beira da janela, sonho.