Sempre estarei buscando os meus sonhos

12 julho, 2011

Fateness

O tempo se esvai como um punhado de areia entre seus dedos.

Tantas coisas acontecem, mudam, implicam e se transformam sem que você possa se dar conta de como ocorrem.

A sinfonia invade o salão, marionetes dançam como silhuetas; talvez sombras de uma mera pessoa é a marionete de uma silhueta.

O salão está sempre aberto, e você repentinamente descobre-se o senhor de sua alma, o capitão de seu destino.

Veste sua coroa, criados que o amam colocam sua manta, sua espada está apegada ao seu corpo, seu cetro lhe é concedido. Você possui o poder para mudar e realizar o que quiser no mundo, mas o que querer?

Mais e mais dança, transeuntes deliciam-se com o vinho sob o balcão. O toque gentil dos lábios em seus mamilos, a unha que rasga os poros de sua pele, os corpos que se preenchem junto a música. Sopros procuram respiração, assim como um corpo busca outro, para poder sobreviver. Gemidos invadem o palácio, e a orgia sangrenta pode ser a alucinação de um pobre garoto em seu quarto, perdido entre seus passos-sonhos.

E as lembranças? Memórias de lágrimas que se esvão, derramando-se sobre o carpete como o sangue colore o punhal.

Se há no sangue, a vida, haveria nas lágrimas os pensamentos?

Cristalizações de um sal árabe ainda não descoberto.

Por mais profundo que seja, tudo é abstrato, tudo é surreal. A linguagem das imagens é a linguagem da mente.

A pena perde sua tinta com carvão, a gaivota procura sol em meio a névoa. A garota seduz com couro, mas com trapos encontra-se suicidada. Suicidou-se a si mesma, dizem os jornais. Era uma tarde orgulhosa, não há dúvidas.

Porém, não são os atos que moldam o amor. É o amor que faz os atos. Passamos pela vida entre milhares de pessoas, sem nenhuma delas tocar em nós, sem nenhuma delas fazer diferença. Até que um dia você encontra alguém, e esse alguém transforma sua vida: para sempre.

Por que as pessoas não encontram alguém? Como poderia um gato encontrar o ruído de seus passos? Como poderia a montanha alcançar sua raíz? Como poderiam os loucos serem dignos da realidade? Como alguém busca algo sem conhecer a si próprio?
Cães farejam os cadáveres, cadáveres de uma noite. Uma noite de orgia sangrenta.

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14 fevereiro, 2011

Passos na areia. Profundo, frio e sereno. O vento a leva e nada pode curvar-se contra ele. Não pensar em lugar algum onde se possa prestar atenção. Atenção ao oceano queimando. Sabe-se que é apenas uma questão de tempo para as orações chegarem com a chuva. Sórbidos passos que destroem e movem tudo.

Os cortes agem rapidamente, sangue derramado sobre o gelo.  Mantemo-nos em movimento, em direções opostas. É melhor ficar sozinho, do que fingir que estou me sentindo bem. Empresários bebem o meu sangue há tanto derramado. No fim, não há fim, e o final está marcado a ferro e fogo.

Ninguém está em uma ilha, todos têm que partir. Sofrer por não conhecer a essência e a minuciosidade de fatos. O sangue escorre ao invés de lágrimas por existir, ao invés de viver. Fogo que queima o presente trazendo o lamento do passado. Neve que queima o futuro trazendo o medo do amanhecer. Sol que obscurece a Lua por possuir um mórbido desejo de aparições.

Impureza hipócrita e vil que destila sua peçonha para cima da pureza. Confessados escravizados pelo embriagado desejo infernal de querer. Desejar o que não tem, desvalorizar o que aparenta ter. Ilusões, passos, tempo, morte, sangue, frieza, cadáveres. Vãos ratos que roem o capuz do rei. Cabeças degoladas que torturam as pobres almas. Lobos cansados de treinar místicos para um panda destruidor. Círculos de fogo e ar que geram escuridão. Ampulhetas derretendo relógios e couro vestindo a Papisa.

Ainda assim, todos têm sua Profecia.

Ainda assim, todos tem sua pureza.

A essência está viva, o chamado está aberto. Aprender a voar e encontrar seus pensamentos. Formando o concreto e o certo a partir da sombra e do medo. Como conhecer o bem sem passar pelo mal?

 

beauty_of_the_third_acte_by_tomabw

02 outubro, 2010

Amor, ódio: uma linha tão tênue.

Realmente desejo reler isso no futuro. Por isso, imortalizar-lo-ei este post por aqui.

Penso que o mau não atrai as pessoas por ele em si, mas pelo poder que ele aparenta dar.

Engraçado como as coisas que vem de fora: aparência, beleza. manipulação, sujeira... parecem tão mais sexy do que a prudência interior.

Afinal, manter-se casto e correto realmente é um imenso desafio quando se vive em um mundo tão sujo. Começo a compreender, compreendo muito bem...

Compreendo que as pessoas, hoje, já sentem a energia, novamente, da busca da imortalidade. Pena que seja a do corpo, e não a da alma.

De que vale um corpo sem alma? Uma vida sem saúde ? Uma solidão sem evolução interior ? Pergunto-me, e realmente começo a achar que nada.

Porém, como dito anteriormente, realmente é um desafio sobre-humano lutar contra a sua natureza animal.

Devido a isso, compreendo o motivo de Crepúsculo fazer tanto mais sucesso do que Crônicas Vampirescas da Anne Rice.

Nasce, por fim, o desejo humano de imortalizar o interior, mesmo que ninguém saiba, mesmo que seja inconsciente...

As pessoas não desejam mais serem vampiros e, sim, anjos. Daí compreendo o porquê surgiu Fallen. Analogias subliminares e ocultas me cansam a mente...

08 setembro, 2010

Serenata ao Luar

Podem me perguntar por que me interesso tanto por tudo aquilo que não é superficial. Podem questionar-me por que gosto tanto dos desafios, daquilo que é coberto por sombras. Mas eu posso, posso sim te responder.

Eu gosto de sentir o mundo. Eu gosto de conversar com o que tem vida. Mas eu sinto vida até no que, aparentemente, não tem vida. Isso que me faz feliz. Eu amo a humanidade, eu realmente amo os meus semelhantes.

Eu considero semelhante tudo aquilo que cruza minha vida. Eu preciso de um sol em meus cabelos (preciso ter cabelos, por isso). Eu preciso de um vento gelado em minha cabeça quente de tanto pensar. Eu preciso de palavras doces que alcancem minha alma, meu coração e os meus sonhos. Eu preciso de noites gélidas e cálidas para organizar tantos pensamentos.

Sim, eu vivo para e pelos outros. A vida inteira fora uma maldição, mas não sei se é mais.

Adoro sentir a grama tocar os meus pés, o ritmo da água fluindo pelo meu corpo, o fogo que arde a cada novo pensamento, a terra em meus ossos me dando tanto sustento. Eu sou alguém que sente, eu preciso sentir.

Eu adoro a fumaça que eu induzo para dentro de meus pulmões e revelam o sentimento que sinto. Sinceramente, eu não mudaria nada que já vivi até agora. Esta é minha introduçao, este é quem sou.

Eu sinto, eu não penso, eu não analiso, eu não observo, eu só sei viver se tiver como sentir.

Os astros, o conhecimento, o céu, os livros, as amizades, as risadas, os choros, não me importa. A cada segundo que passa eu preciso sentir a harmonia que há entre a minha existência e o sentimento universal.

Sinto muito, eu não sou alguém que preciso de teoria, tampouco de prática, eu não preciso de dinheiro, eu apenas necessito para poder respirar, para poder rir, para poder olhar, tocar, sentir, ouvir e ver, eu preciso é sentir. Este é o meu sucesso, e para isso, preciso de pessoas.

Vivo para e pelos outros, pois não há sentimento melhor do que um sorriso produzido por você, um olhar grato e humilde virado a você. Por isso eu sou um médico de alma, enquanto houver no mundo pessoas que necessitem do meu apoio ou da intervenção de meus talentos, dificilmente colocarei meus próprios passatempos criativos em primeiro lugar.

É pela empatia imediata que sinto com os desprotegidos que vivo, é para reparar o que está errado. Preciso trazer harmonia e beleza ao mundo. É para isso que existo, é para isso que respiro, eu preciso viver. Meu viver é sentir. Eu transpiro sentimento, cada poro de minha pele é um sentimento. Então se você quer saber o que se passa pelo meu coração e pelo meu cérebro, não são palavras intelectuais, ou milhões de conhecimentos de milhões de livros que li, tudo que se passa em mim são os sentimentos.

Sou como o vento, não há forma, não possuo identidade. Sou o reflexo das pessoas que convivem comigo. Se o considero meu amigo, seus sentimentos serão meus próprios sentimentos. A minha melhor qualidade, empatia e compaixão, é também o meu pior defeito. Por isso às vezes alcanço a exaustão e preciso manter contato com ambientes inóspitos para poder me encontrar novamente, o próprio vento é solitário, pois dá tanto ar aos outros, que precisa de seu descanso na altitude solitária. Porém, quando as pessoas sofrem com os períodos de seca, lá estou eu, o vento, a risada, a música querendo reviver cada coração ausente.

Eu nem curto lutar muito por mim mesmo, mas sou muito feroz quando meu instinto de proteção e meu senso de justiça são despertados em nome dos outros, em nome daqueles que realmente necessitam de alguma ajuda. Eu realmente preciso de uma causa à qual me dedicar, alimentando-a com meus ideais e com minha convicção de que todos os seres vivos merecem respeito.

Por isso posso dizer que hoje estou feliz, cantando à noite, cantando à vida, esta é minha serenata ao luar, pois me conhecer é o maior desafio que já me impuis. Mas estou cansado de ser tão auto-crítico, tão perfeccionista e rígido comigo mesmo enquanto sou tão paciente com a vida e com os outros. Por isso, posso dizer, essa é a minha introdução. Podem querer me colocar pra baixo, pra cima, o vento não possui formas.

Identidades visuais, fotografias desiguais, fluxos repentinos, sou um peregrino !

Sentimentos momentâneos, amizades espontâneas, é isso que meu coração vibra agora.

Sim eu choro, sim eu dou risadas, eu não ligo mais pro que vão dizer. A vida inteira apontaram o dedo para mim, mas hoje estou feliz, hoje estou transbordando sentimentos e não há nada mais valioso para mim do que transbordar sentimentos. Por isso ria, chore, se isso é um transbordamento de sentimentos do mais profundo de sua alma para fora, transborde ! Pois, pela primeira vez na vida, estou transbordando não por amor, não por alguém, mas por mim mesmo ! E eu não poderia querer mudar nada em mim, não neste momento, pois isto é a resposta do que se passa dentro do meu coração e do meu cérebro neste momento.

Sinceridade, direto, franco, honesto, transparente, é isso que sou. Por isso eu canto, canto à vida, canto à noite, esta é minha serenata ao luar…

Clow-Back[1]

26 julho, 2010

Não é uma questão de não tentar. Os erros servem para aprendermos. Com o erro, a culpa. A culpa serve pra repetirmos o erro que nos botou em encrenca, ou simplesmente voltar e aprender a seguir em frente.

Nós tentamos sempre e sempre ficar a par da situação, tomar o controle e fazer tudo ficar bem. Não contamos com o imprevisível, com as alterações emocionais, com a brincadeira dos karmas e dos astros.

A verdade é que tudo começa, cresce, atinge o seu ápice e cai. Cai de uma maneira colossal, épica, trágica. Eis a Lei da Entropia: destruição para reconstrução. Porém, o mais difícil para as pessoas é perceber em que estágio as coisas estão. Pessoas não estão interessadas em descobrir a si mesmas, elas querem conhecer o outro, o macrocosmo, antes de conhecer a si mesmo, o microcosmo.

Você só terá empatia em ver que algo não é ‘frescura’ diante da sua reação, quando você entender a sua reação. O segredo da empatia, acredito eu, está em conhecer a si mesmo, identificar-se ou, pelo menos, entender a força geradora de um sentimento, de uma força, de um acontecimento para, aí sim, saber lidar com isto.

Creio que estou na queda e, se eu realmente quiser produzir algo útil e que faça algum bem a minha própria existência, eu preciso reconstruir e aprender, chega de repetir tantos erros. Meu pai sempre disse: “Errar é humano, repetir em um erro, é burrice.” Talvez seja um tanto radical, mas é verdade. Precisamos errar, errar, e não importa se foi uma ou oitenta vezes, precisamos é aprender com os nossos erros. Com o erro, vem a culpa e o arrependimento, a dor. Mas esta é a função desses termos tão abrangentes e, ao mesmo tempo, vazios em significado: aprender a seguir em frente de uma maneira melhor. Não seríamos humanos se não errássemos, mas estamos voltando a primitividade se percebermos e nem sequer tentar erradicar.

Talvez eu esteja sendo muito radical e inquisitivo, intransigente até, mas não é isso. Todos erramos mil vezes, é verdade. O que quero dizer é que errei durante quase uma vida inteira em uma mesma ação, que não cabe digitar aqui. Porém, eu a percebi faz cerca de 2 anos. Continuei errando, sofri denovo, denovo e denovo. Estou farto de sofrer ! Preciso fazer algo para erradicar isso, e para eliminar a peçonha da serpente, é necessário sugar todo o seu veneno, eliminar o mau pela raíz.

Estipulei a meta. Estou árduamente tentando cumprir. Essa é uma semana de luta, de batalha, mas eu sei que irei conseguir. Sinto o fogo em meus olhos, a chama que alastra por cada poro de minha cútis. É natural que haja muito sofrimento, mas eu já decidi, e irei sofrer se não seguir algo que decidi.

Por muito tempo, permiti que os outros tomassem decisões pra mim. Só Deus sabe o quão difícil é, para mim mesmo, admitir isso. Mas é a verdade cruel: por muito tempo tive medo de magoar as pessoas e tomei as escolhas delas, não as minhas. E chega ! Estou cansado disso ! Com razão, ou não, sei lá ! Só sei que estou cansado. Eu tomei uma decisão, e por mais que doa, doeria mais (e eu sei como isso dói, pois já passei por isso) se eu não optasse pela minha própria opinião. É uma libertação, é uma dádiva que me foi concedida para recomeçar, para aceitar mudanças, para plantar sementes boas e erradicar as ervas daninhas.

Pois bem, este é meu desabafo matutino, e foda-se, nem sei o que estou escrevendo, deve estar uma bosta ortograficamente e legivelmente (nem sei se essa palavra existe), mas é isso.

Com força,

Morphir

25 para 26 de Julho de 2010 às 05h47.

20 julho, 2010

O lobo e sua presa

Não importa o motivo, seu único ímpeto é a destruição. Não lhe resta sentimentos, não lhe importa o grande acúmulo de sangue. O que ele deseja é a morte. Sua caça não é moral, virtuosa ou cumulativa. A única função de seus homicídios é ser o que é, seguir seus instintos.

Deparei-me, há pouco tempo, com a brilhante conclusão (de um grande gênio, é claro) de que o homem é o único animal que precisa descobrir qual é o seu sentido, o seu instinto, o seu motivo de existência. Não estou com vontade de devanear a respeito disso, só sei que concordo em número e grau. Destarte, venho questionando-me qual é o meu instinto, como posso erradicá-lo, como posso reparar tanto mal.

Não importa se o fogo causado por você é oriundo de um fósforo ou de uma bomba nuclear, o fogo sempre irá se alastrar por todo o local, queimando, convulsionando, dilacerando sem pena nem dó. Estragos não são mesuráveis, sentimentos não são mesuráveis. Não há mais competição ou comparação, há apenas a destruição, e não importa o tamanho, pois que o tamanho depende de seu referencial, o que é infinito.

A essência das coisas é que vale. A garota tornou-se uma vagabunda. Foi a maneira encontrada para tentar juntar pedaço por pedaço de seu coração devorado por ele. Está certa ? Não posso julgá-la, não sou eu (graças a Deus) que estou vivendo em sua pele. Todavia, é por este motivo que existem regras e toda regra deve ser seguida.

Mas não é também animalmente comum o impulso de transpassar limites ? Eis o horizonte antropológico. Porém, acredito que isso que significa realmente, e literalmente, ser humano. Lutar contra o lobo que habita em seu coração segundo após segundo, quer você esteja mergulhando na luz astral, quer você esteja vivendo aqui a sua personalidade.

Ultimamente, ouvi coisas que realmente machucaram o meu ser. Porém, um espelho que reflete, não pode protestar ou reivindicar direitos quando um outro espelho é exposto à sua frente. Doa o que doer, é necessário deixar a fratura exposta para a moléstia poder respirar. Isto não impede as ações do ar, dos micróbios, do oxigênio corroendo a carne morta. Seria um sacrilégio dizer que não há dor, mas é o que é. É com as dores que são geradas as cicatrizes: doces selos que, eternamente, lembrarão-lhe a lição aprendida. Eu gostaria mesmo é de saber selar isto no microcosmo.

De qualquer maneira, estou devaneando e, como dito anteriormente, não possuo este objetivo. Só sei que todo ato destrutivo afeta a todos em seu Universo. Os atos auto-destrutivos afetam apenas a você, ou talvez uma ou mais outra pessoa, mas a destruição ? Fere a todos que estão a sua volta. O lobo encontra-se farto de destruir todos a sua volta, em qualquer momento de queda. Ele deseja agora saber manter-se firme, forte como é, respeitável, grandioso, majestoso, opulente e imponente como é. Como prosseguir ? Qual é o seu diagnóstico ?

Lágrimas sem fim. A bola rola e rola. Não importa mais o risco de uma Avalanche ou de um Terremoto, qualquer mínimo movimento sempre será a alimentação de um estado que já se encontra caótico. Porém, eu sinceramente indago a mim mesmo qual é a solução para uma avalanche. Chego a conclusão de que, como tudo, é fundamental eliminar o mal pela raiz. Se cada vez mais as bolas de neve são formadas, é preciso eliminar a força geradora dessas destruições. Suicídio? De certa forma, pode-se dizer que sim. Mas assim como é necessário extirpar com a boca toda a peçonha tóxica da serpente negra e maligna, é mister acabar com o que produz isso. E o que é isso ? Mentiras. É necessário acabar com todas as mentiras, não importa o quanto doa, destrua ou rasgue a ferida já exposta. Qualquer coisa é possível de se passar por cicatrização, mas primeiro, é essencial que se elimine o veneno que destrói as células.

Redijo então, agora, às 4h14 de 20 de Julho de 2010, a minha lista de metas para a recuperação total da sanidade consciente.

  1. Explicar à gentil senhorita que se não chove em uma região, o vale não pode estar sedento de água, mas pode desejar apenas um dinamismo atmosférico. Desculpar-se, ouvir o seu triste desespero, mas explicar detalhadamente que não é por a grande mãe não ter despertado o desejo mútuo que não há sentimento, apenas não é recíproco em grau, tamanho e forma.
  2. Explicar ao cavalheiro que, em uma viagem conjunta, se um decidiu optar pelo caminho destro, não é um ato egoísta não poder acompanhá-lo. Qualquer decisão tomada de coração é, sem dúvidas, precedida de pensamentos sob todos os aspectos. Pode ser que doa ao senhor tomar ciência de que estão diantes de uma bifurcação, mas, de certo, vale mais uma escolha prudente e sem arrependimentos, do que um risco que leva ao abismo e a morte, onde o arrependimento e a escuridão reinarão eternamente.
  3. Começar e terminar toda a tragada sábia de sabedoria (não é pleonasmo, você sempre irá entender esta frase, não importa quantos séculos se passem), para adquirir a ousadia, o silêncio e a prudência. A razão não é um frio reptiliano, é o calor que acende a chama.
  4. Alcançado o mais profundo da toxina, irá realizar a tarefa mais difícil: publicar a verdade à Árvore, a verdade mais profunda e vergonhosa e, diante de seus méritos, sinceridade, compaixão e tarefas cumpridas, o mal não irá vencer.

Este é um texto para mim. Quando digo para mim, é do mais profundo sentido de ‘para mim’. Se você leu isso, perdeu seu tempo, pois foi escrito apenas para mim, ou seja, você jamais irá entender.

Luz e Paz no meu coração, a jornada é repleta de pedregulhos, obstáculos míticos que soltam chamas de seu coração. Não importa, irá vencer por ousar o que é certo e calar com discernimento.

Tenha uma boa viagem, Artur.

 

Depois de um tempo, aprende-se a saborear e gostar

06 julho, 2010

Esperança

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        Não sei como começar este texto. Temas abstratos, normalmente, são árduos para expressão humana. Talvez seja insanidade em minha mente constantemente nevrostênica. Talvez não. Ora pode ser por eu ser escorpiano, com ascendente em peixes e lua em virgem, ora não. Mas a verdade é que sou o que sou. Sempre tentando, desde que me conheço, conhecer a confusão que é a minha existência. Destarte, pode ser por isso que eu possua tamanha facilidade e apreço pelo incompreendido, pelo mistério, em ver o impossível como possível, naturalmente que materializam-se, tomam a sua quarta forma.
         Os pensamentos são essa materialização, o Imperador (4). Tomam sua forma, tornando-se imortais. Já ações, creio que são como o segundo arcano do Tarot, A Papisa, é o conteúdo da forma, mas podem morrer, podem ser mortais.
         A âncora Cristã (e não cristã) é formada pelo triangular:

                                                          Fé
    

                              Esperança                      Caridade

         Eliphas Levi dissera: "Todo poder mágico está no ponto do equilíbrio Universal. A sabedoria equilibrante está nestas quatro máximas: Saber a verdade, Querer o bem, Amar o belo e Fazer o que é Justo. Porque a verdade, o bem, o belo e o justo são inseparáveis, de tal forma que aquele que sabe a verdade não pode deixar de querer o bem, amá-lo porque é belo e fazê-lo porque é justo.
         O ponto central na ordem intelectual e moral é o laço de união entre a ciência e a fé. Na natureza do homem este ponto central é o meio pelo qual se unem a alma e o corpo para identificar a sua ação. Todo homem está destinado a atingir este ponto, porque Deus deu a todos uma inteligência para saber, uma vontade para querer, um coração para amar e um poder para operar."
         O mesmo se aplica a âncora Cristã: é necessário ter Esperança para o êxito, a Caridade para consolidação, Amor para a Fé e a Fé para a realização. Temos uma inteligência para saber que somos todos Um, logo, seguindo a Correspondência, sendo caridoso com o próximo, tornas-te caridoso por si mesmo; temos o sentimento de Esperança para querer, desejar, esperar e um coração para realizar tudo pelo Bem Maior, trazendo à tona o poder da Fé.
         Quando o assunto é abstrato, impalpável, é um sentimento ou se trata de misticismo, ou melhor, quando um tema trata-se de Fé, e não de Ciência, é como se estivéssemos em um infinito Oceano e, por acaso, um perdido companheiro pedisse para provar o horizonte. Não há como provar o horizonte. Encontrando a harmonia entre o seu ser, a sua existência, o seu coração, o seu sentimento, todo o seu ser interior com o exterior, prova-se a si mesmo a razão do horizonte. Mas isso depende de cada um, de seu coração, de sua visão.
         Todos nós vivemos em uma jornada infinita onde todos estão sozinhos, para poder descobrir que todos são parte de um só. Há certas coisas que para se falar depende, e muito, de suas vivências, experiências adquiridas. Não adianta o cego explicar a cegueira para aquele que nunca a teve. O verdadeiro sábio dá a resposta, mas selada em meio a figuras de linguagens, símbolos, para não retirar a oportunidade de escolha de quem o procurou. Gosto de falar de Jano, o deus menor grego das portas, das escolhas. Associo-o também ao arcano do Tarot dos Enamorados (6). Sempre que se segue um conselho, se retirar o livre arbitrio do locutor, não é um conselho, é um assassínio. Cada um precisa enxergar o seu caminho por si mesmo para que, no futuro, todos se encontrem na linha de chegada.
janus08[1]33

         A esperança consiste justamente na linha de chegada. Não importa o que aconteça, não importa as adversidades da vida, "enquanto há fé, há esperança". As pessoas que possuem diligência, fé, não desistem. Pode a chuva cair, mas qualquer tempestade tem fim. As pessoas sempre possuem a Esperança de conseguir alcançar o objetivo, o caminho que almejam.
         É um sentimento presente em cada um de nós, todos já a sentiram, sentem e irão sentir. Mas não há como explicar-lhe. A esperança, a fé, a caridade e o amor são intrínsecas, inseparáveis, pois é como um tripé: retirando-se um pé, todo o objeto encontra a queda.
         A esperança é a Luz, a Força que nasce dentro do mais profundo do nosso ser, desconhecido até por nós mesmos, que nos move, que nos dá Coragem para seguir em frente, para separar o Joio do Trigo, que nos dá foco para realizar, com êxito, nossos objetivos.
         No dia-a-dia, creio que a Esperança está em nossa Criação. Vivemos em um mundo frenético, louco, ávido pelo exibicionismo, pela vaidade, pelo pó, pelo materialismo, cada vez mais no fora, e cada vez menos no dentro. Acredito que a esperança, dentro de mim e, de certa forma, em todos, está em cada dia poder criar um refúgio a tudo isso. Em poder criar a própria personalidade, o próprio modo de ser, viver cada segundo de uma maneira nova, por meio de conhecer. Acredito que a Esperança nos leva ao amor próprio, uma vez que nos ensina quem somos, nos faz parar para refletir e fitar o quanto mudamos, amadurecemos, evoluímos e crescemos. Paramos para refletir nas interpéries da vida, e não nos momentos bons. E são nesses momentos de tristeza, de possível perda, nessas chances de recomeço é que se dá uma nova chance a si mesmo, e é aí que nasce a Esperança: de dentro nossos corações. Colhemos o que plantamos, disso todos nós sabemos. Mas é muito difícil refletir e encarar cada situação, cada ação, pois que, como dito anteriormente, o pensamento é imortal, mas a ação, mortal. Se nos isolamos para estudar, para nos entender e, depois nos sentimos sozinhos, não sabemos o motivo. É na tristeza que nasce a Esperança, uma vez que quando se está alegre, há uma aparente visão de harmonia, de sincronicidade, de objetivo alcançado. É na tristeza que encontramos os obstáculos em frente aos nossos pés, na estrada. É na tristeza que pensamos em parar e recomeçar, de uma nova maneira. Isto que difere a Fé, presente em qualquer situação, da Esperança, que nos conforta com a Fé.
         O que esqueço muitas vezes e, creio que todos devem ter momentos de queda, é que temos esperança e medo em nossa mente, onde oramos por alguém que seja iluminado e que possa nos dar seus poderes positivos. Mas, acaba sendo um pensamento como o de um dono de cão que dá um biscoito para agradá-lo, não precisamos querer agradar seres iluminados, rezamos para conseguir a aptidão de receber sua Graça incondicional. "Somos como uma bola de ferro impenetrável sem uma argola que possa ser fisgada pelo gancho de sua compaixão".
         Sempre tive um lema de vida que diz: "se está parado, faça caridade. Se está ocupado, ore". Acredito que o meu caminho para incorporar a Esperança de modo definitivo em minha vida irá se iniciar no dia em que eu realmente aplicar isso com todo o meu corpo e alma, que, com certeza, trará-me muita paz, serenidade, luz e sabedoria.
         Já foi dito, mas faz-se mister salientar que, sob a óptica espiritual, acredito que a Esperança é um dos alicerces da Fé, da Caridade e do Amor.
         Todavia, apesar de tudo, só posso usar a clássica frase: "Eu só sei, que nada sei", pois possuo apenas dezoito anos e tudo que eu ouso dizer saber e acreditar é apenas um grão de areia diante da complexidade e infinidade do Conhecimento Universal.
         Creio que, ao invés de uma dissertação, acabei por redigir um desabafo, um devaneio dentre tantos que vivem em minha mente. Espero que não tenha problemas com isso, e muito obrigado pela oportunidade concedida.
         Paz e Luz,
         Morphir


"Senhor dos Céus e da Terra! Abençoai nosso ideal, aqui e além,
…dai-nos o poder de entender a Vossa bondade, para que seja cumprido a lei.
…Dispensai o nosso ódio, para que haja alegria.
…Dispensai o medo, para que surja a coragem.
…Dispensai a inércia, para que nasça o trabalho.
…Consenti, Senhor, que o Vosso nome não fique em vão nos nossos caminhos,
…nas nossas atitudes e no nosso amor para Convosco, para com o próximo.
Ajudai-nos a aumentar a nossa fé, para que possamos doar esperanças,
…fazei-nos que nossa caridade de avolume, para que possamos doar paz,
…ajudai-nos a multiplicar a nossa fraternidade, para que possamos doar amor.
…E que, ao sairmos daqui, sejamos interligados pela luz, onde brilham as estrelas,
…ainda que distantes umas das outras.
…Que se faça a Vossa vontade e não a nossa!"
 Francisco de Assis